30 maratonas em 30 dias: desafio esportivo ajudou crianças no ES

Você já imaginou enfrentar 42 km, diariamente, durante trinta dias? Para o capixaba Edson Borges, palestrante e treinador de corrida, a iniciativa vai além de superar os limites físicos e mentais do corpo humano. Mais do que um desafio esportivo, Edinho queria criar um movimento de solidariedade. Cada volta representava uma oportunidade de inspirar pessoas e transformar vidas.

O percurso acontecia na Praia de Camburi, em Vitória. A ideia nasceu da vontade de mostrar que não existem limites quando existe um propósito. “Eu queria criar um desafio que fosse acessível ao público, onde as pessoas pudessem participar todos os dias. Por isso escolhemos um circuito de apenas 1 quilômetro. Quem quisesse podia correr um quilômetro, cinco ou uma maratona inteira ao meu lado”, revelou.

A jornada esportiva tinha um propósito social: transformar essa corrida em uma ação para ajudar o Instituto Vovô Chiquinho, uma organização sem fins lucrativos, que atende mais de 170 crianças e adolescentes, localizada em Central Carapina, na Serra.

“Eu acredito que o esporte só faz sentido quando ele vai além da linha de chegada. Queria usar a visibilidade do desafio para fortalecer esse trabalho. O objetivo nunca foi correr por mim. Foi correr por quem mais precisa. Cada quilômetro percorrido foi um convite para que mais pessoas conhecessem essa causa e se tornassem parte dela”, disse.

30 maratonas em 30 dias: desafio esportivo ajudou crianças no ES
Instituto Vovô Chiquinho — Foto: Arquivo pessoal

Edinho afirma que houve dias de muita dor e desgaste. Porém, afirma que o mais difícil era acordar sabendo que ainda teria mais 42 quilômetros pela frente, independentemente do cansaço ou das condições do corpo. “Nessas horas, eu lembrava do propósito. Quando você entende que alguém será beneficiado pelo seu esforço, a dor muda de significado. Ela deixa de ser um obstáculo e passa a fazer parte da missão”, expressou.

Ao fim do teste de resistência, o capixaba percorreu 1.265 quilômetros e ainda conquistou um recorde mundial, no Guinness World Records, de maior maratonista em número sequencial de maratonas em um circuito fechado do mundo.

“Nunca foi o nosso principal objetivo. O recorde é consequência. O verdadeiro legado são as vidas impactadas, as pessoas que passaram a acreditar que também podem superar seus próprios desafios e a transformação que vamos proporcionar. Os recordes podem ser quebrados. O impacto que deixamos nas pessoas permanece”, assegurou.

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Edinho e outros participantes do desafio — Foto: Arquivo pessoal

O que marcou Edinho foi perceber que nunca correu sozinho. Todos os dias havia alguém ao seu lado: crianças, idosos, corredores experientes, pessoas que nunca tinham corrido antes. “Muitos vieram apenas para caminhar alguns minutos, dar um abraço ou dizer que estavam enfrentando seus próprios desafios inspirados pelo projeto. Entendi que aquelas maratonas já não eram minhas. Elas pertenciam a toda uma comunidade”, declarou.

O trajeto da Praia de Camburi representou superação: lutas contra o câncer, vício em drogas e depressão. O ultramaratonista se tornou inspiração nas vidas de muitas pessoas. “Eu costumo dizer que medalhas ficam na parede, mas vidas transformadas ficam para sempre”, finalizou.

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