Analfabetismo cai no ES, mas desafio persiste entre idosos

O Brasil registrou, em 2024, a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Educação. Apesar do avanço, o desafio ainda está longe de ser superado, especialmente entre a população idosa. No Espírito Santo, que apresenta indicadores educacionais acima da média nacional, o cenário segue a mesma tendência: a redução do analfabetismo convive com desigualdades geracionais que mantêm milhares de pessoas afastadas da leitura e da escrita.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais caiu para 5,3% em 2024, o equivalente a cerca de 9,1 milhões de pessoas. Embora o índice represente um avanço histórico, a maior concentração de analfabetos continua entre pessoas com 60 anos ou mais, refletindo dificuldades de acesso à educação em décadas passadas.

Especialistas apontam que os números atuais são resultado de uma dívida educacional acumulada ao longo do século passado, quando o acesso à escola era mais restrito, sobretudo em áreas rurais e entre famílias de baixa renda. Por isso, mesmo com a ampliação da rede de ensino e a quase universalização da educação básica nas gerações mais jovens, o analfabetismo permanece como uma realidade para parte significativa da população idosa.

No Espírito Santo, a tendência é semelhante. Embora o Estado apresente taxas inferiores à média brasileira, os maiores índices continuam concentrados entre os mais velhos, especialmente em municípios do interior.

Escolarização se aproxima da universalização, mas Ensino Médio ainda exige atenção

Enquanto o analfabetismo recua, os indicadores de acesso à escola mostram um cenário bastante diferente entre as novas gerações. A taxa de escolarização de crianças entre 6 e 14 anos alcançou 99,5% no Brasil, demonstrando que praticamente todas as crianças em idade de ensino fundamental estão frequentando a escola.

No Espírito Santo, os índices também se mantêm elevados, resultado da expansão das redes municipal e estadual de ensino e das políticas de permanência escolar implementadas nos últimos anos.

Apesar dos avanços, a PNAD revela que o atraso escolar voltou a crescer no país. O fenômeno ocorre quando estudantes frequentam séries incompatíveis com a idade esperada, geralmente em razão de reprovações ou interrupções da trajetória escolar.

O problema tende a se tornar mais evidente no ensino médio, faixa etária em que aumentam os riscos de evasão. Entre os desafios apontados por educadores estão a necessidade de trabalhar, dificuldades socioeconômicas e a falta de perspectivas em relação à continuidade dos estudos.

Mais anos de estudo e maior acesso ao ensino superior

Outro indicador positivo divulgado pelo IBGE foi o aumento da escolaridade média da população brasileira. Em 2024, pessoas com 25 anos ou mais atingiram, em média, 10,1 anos de estudo, o maior patamar já registrado.

Também cresceu a proporção de brasileiros com diploma de ensino superior. O percentual chegou a 20,5%, refletindo a expansão das universidades, dos institutos federais e das modalidades de ensino a distância.

No Espírito Santo, a tendência acompanha o cenário nacional, impulsionada pela presença de instituições públicas e privadas e pela ampliação das oportunidades de formação profissional e acadêmica.

Os resultados da PNAD mostram que o Brasil avançou de forma consistente nos indicadores educacionais, mas também evidenciam que parte da população ainda não foi alcançada pelos benefícios desse progresso. Entre crianças e jovens, o acesso à escola já é praticamente universal. Entre os idosos, porém, a alfabetização continua sendo uma meta distante para muitos brasileiros.

Para especialistas, reduzir essa desigualdade geracional passa pela ampliação de programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e pela criação de estratégias específicas para atrair e manter estudantes idosos nas salas de aula.

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