O Espírito Santo atingiu o maior patamar de sua série histórica no número de pessoas vivendo em situação de rua. De acordo com os dados mais recentes do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), o estado contabiliza 4.531 pessoas nessa condição. O índice coloca o território capixaba na 12ª posição do ranking nacional.
O levantamento, baseado no cruzamento de dados do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal, revela um crescimento acelerado e contínuo nos últimos cinco anos. Em 2020, o estado registrava 3,2 mil pessoas em vias públicas. Após uma queda pontual em 2021 (quando o número recuou para 2,5 mil), a curva voltou a subir de forma inédita, impulsionada pelos reflexos socioeconômicos da pós-pandemia e pela ausência de políticas habitacionais estruturantes.
Como polo central da Região Metropolitana, a capital capixaba reflete de forma nítida o panorama estadual. Vitória concentra 1.146 pessoas em situação de rua — o que representa cerca de 25% de todo o contingente do estado.
A evolução do município impressiona pelo ritmo de crescimento: o número de registros na capital quase dobrou em relação a 2022, quando a cidade contava com 585 pessoas cadastradas. Apesar do salto local, no cenário nacional, Vitória ainda se mantém como a sexta menor capital em números absolutos de população de rua.
Perfil e Invisibilidade
Nacionalmente, o estudo aponta que o crescimento acelerado (que já passa de 388 mil pessoas no Brasil) é composto majoritariamente por homens adultos (84%) e pretos ou pardos (a maioria esmagadora), evidenciando o peso do racismo estrutural no país.
Especialistas do observatório ressaltam que o aumento expressivo dos números oficiais se deve a dois fatores principais:
- Fatores Socioeconômicos: A precarização do mercado de trabalho, a falta de moradia acessível e a perda de renda familiar extrema.
- Busca por Visibilidade: Uma melhora recente nos mecanismos de busca ativa e preenchimento do CadÚnico pelos municípios, fazendo com que pessoas antes invisíveis para o Estado passassem a figurar nas estatísticas.
O avanço dos dados acende um alerta para a necessidade urgente de articulação entre os municípios da Grande Vitória e o Governo do Estado para a criação de frentes integradas de acolhimento, qualificação profissional e moradia social.









