Caso Ypê: cães e gatos correm risco com bactéria em produto de limpeza?

A suspeita de contaminação por bactérias em produtos de limpeza reacendeu uma preocupação comum entre tutores: afinal, cães e gatos podem ser afetados por micro-organismos presentes nesses itens usados no dia a dia da casa?

Segundo a médica-veterinária Viktória Wensko, especialista em cuidados integrativos, embora os animais também possam sofrer intoxicações e infecções, eles costumam apresentar uma resistência maior a determinadas bactérias em comparação aos humanos.

“Os pets têm um sistema imunológico bastante preparado para lidar com diversos agentes externos. As vacinas, a própria exposição ambiental e características biológicas acabam tornando muitos animais mais resistentes do que nós para certos tipos de bactéria”, explica a especialista.

Isso, porém, não significa que os tutores possam relaxar nos cuidados dentro de casa —especialmente quando o assunto envolve produtos químicos. Segundo Viktória, o maior risco para cães e gatos costuma estar menos na bactéria em si e mais na exposição inadequada a substâncias tóxicas presentes em produtos de limpeza.

“O perigo muitas vezes está na intoxicação. Alguns componentes químicos podem irritar pele, mucosas, causar vômitos, salivação excessiva e até problemas respiratórios, principalmente quando usados de maneira concentrada ou sem ventilação adequada”, afirma.

Os gatos merecem atenção especial. De acordo com a veterinária, os felinos são muito mais sensíveis a cheiros fortes e compostos químicos por conta do funcionamento do fígado, que metaboliza determinadas substâncias de forma diferente de cães e humanos.

“Os gatos possuem uma limitação hepática importante para metabolizar vários compostos químicos. Por isso, eles tendem a ser mais sensíveis a produtos de limpeza, perfumes e até óleos essenciais”, alerta Viktória.

A recomendação é que qualquer produto seja utilizado sempre conforme as instruções do fabricante, preferencialmente diluído em água. Além disso, é fundamental enxaguar bem pisos, superfícies e locais onde os animais costumam deitar, lamber ou circular após a limpeza.

“Muita gente limpa o chão e já libera o pet logo em seguida. O ideal é sempre remover resíduos e esperar o ambiente secar completamente antes de permitir o acesso do animal. Afinal, ele se lambe, e pode acabar ingerindo resquícios dos produtos”, orienta.

Outro cuidado importante é evitar misturas caseiras de produtos químicos, prática relativamente comum em faxinas domésticas. Combinações inadequadas podem liberar gases tóxicos e aumentar o potencial irritativo do ambiente tanto para humanos quanto para pets.

Segundo Viktória, sinais como espirros excessivos, olhos lacrimejando, salivação intensa, vômitos, apatia ou dificuldade respiratória após contato com produtos de limpeza devem servir de alerta imediato para procurar atendimento veterinário.

São Paulo, FolhaPress – Camila Eiroa

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