A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) derrubou, com 24 votos, o veto do ex-governador Renato Casagrande ao projeto de lei de autoria do deputado Coronel Weliton que declara a Festa da Cappitella, realizada em Nova Venécia, como patrimônio cultural imaterial do Estado. Com a decisão, a proposta passa a reconhecer oficialmente, para todos os efeitos legais, uma das principais manifestações culturais ligadas à tradição italiana no município do Norte capixaba.
Durante a deliberação, o líder do governo na Assembleia, deputado Vandinho Leite, liberou os parlamentares da base para votação. O veto foi rejeitado pela maioria da Casa, garantindo a aprovação da matéria apresentada em setembro de 2025.
Na justificativa do projeto, Coronel Weliton destacou a relevância histórica e cultural da festa para a preservação da identidade de Nova Venécia. “A Festa da Cappitella consolidou-se como uma das mais significativas expressões da herança cultural italiana, resgatando e valorizando tradições imigratórias, fortalecendo o turismo, a gastronomia local e a identidade cultural capixaba”, afirma o texto.
Fundada por imigrantes italianos há mais de 60 anos, Nova Venécia mantém forte ligação com costumes herdados da Itália, contexto em que a Festa da Cappitella se consolidou. Criada em 2017 pela Associação da Festa da Cappitella (Afecapi), a celebração reúne um festival gastronômico, o Carrettino Della Cappitella, desfile cultural com carros alegóricos de famílias locais, o Barchettino no rio Cricaré, o tombo da polenta, eleição da rainha e princesas, além de apresentações culturais e musicais e da Serenata Veneziana pelas ruas da cidade.
O nome da festa surgiu da junção de dois pratos típicos italianos — cappelletti e tagliatella — e, desde sua criação, tem como objetivo preservar a cultura italiana, valorizar a gastronomia e fomentar a geração de renda no município.
Na mesma sessão, os deputados também analisaram o veto governamental ao Projeto de Lei 21/2024, de autoria do deputado Alcântaro Filho, que institui a Política Capixaba de Prevenção das Mortes Violentas de Crianças e Adolescentes no Espírito Santo.
Diferentemente da votação anterior, Vandinho Leite orientou pela manutenção do veto, que foi confirmado por 15 votos. Com isso, a proposta permaneceu barrada.
O projeto previa a criação de uma política pública intersetorial, em cooperação entre Estado, municípios, sociedade civil e organizações sociais, voltada à prevenção de mortes violentas de crianças e adolescentes, incluindo homicídio doloso, homicídio culposo, lesão corporal seguida de morte, latrocínio, mortes decorrentes de intervenção policial e feminicídio. A proposta também estabelecia princípios, objetivos e diretrizes para ações de prevenção destinadas a crianças de até 12 anos incompletos e adolescentes entre 12 e 18 anos.









