O Dia Nacional da Educação de Surdos, celebrado nesta quinta-feira (23), chama a atenção para a importância da inclusão, do acesso à educação de qualidade e do respeito à Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legítimo de comunicação. Apesar dos avanços na legislação, especialistas alertam que ainda há um longo caminho para garantir, na prática, os direitos da comunidade surda.
Em entrevista à Rádio ES Hoje, a intérprete de Libras e pós-graduada em educação especial Patrícia de Assis afirmou que a realidade nas escolas ainda está distante do ideal. “As escolas ainda não estão preparadas para receber esse aluno e, muitas vezes, consideram que apenas o intérprete resolve todos os problemas. Isso não é suficiente”, destacou.
Segundo ela, além da presença do intérprete, é necessário investir em materiais acessíveis, na formação adequada de professores e na promoção de maior integração entre os estudantes. A especialista ressalta que a inclusão vai além da presença física do aluno surdo em sala de aula e depende de recursos que garantam sua participação efetiva no processo de aprendizagem.
Outro desafio apontado é a comunicação no cotidiano, especialmente no acesso a serviços básicos, como saúde e atendimento público. “O surdo é um cidadão, com direitos e deveres, mas esses direitos nem sempre são garantidos”, afirmou.
A participação da família também é considerada essencial para o desenvolvimento educacional. O incentivo à aprendizagem da Libras e o envolvimento na vida escolar contribuem para fortalecer a autonomia e a identidade da pessoa surda.
Apesar dos desafios, a especialista reconhece avanços, inclusive com o uso de tecnologias. No entanto, avalia que ainda são insuficientes diante das demandas. A data reforça a necessidade de ampliar o debate e transformar garantias legais em ações concretas no cotidiano.
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