Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo conseguiram avançar na explicação de como insetos aquáticos pré-históricos foram preservados em excelente estado na Formação Crato, na Bacia do Araripe, no Ceará — um dos mais importantes sítios fossilíferos do mundo.
O estudo analisou fósseis de efêmeras e libélulas com mais de 110 milhões de anos e comparou esse material com insetos aquáticos modernos coletados em rios de Santa Teresa, no Espírito Santo. Em laboratório, os pesquisadores simularam processos de morte e decomposição para entender como ocorreu a fossilização.
A análise indicou que muitos insetos se fossilizaram próximos de onde morreram, em ambientes de águas calmas e com baixa salinidade, sendo rapidamente soterrados. Experimentos mostraram que partes do corpo que se desprendem logo após a morte aparecem intactas nos fósseis, reforçando a hipótese de soterramento rápido.
Outro achado importante foi o papel dos biofilmes de microrganismos no processo. Segundo os pesquisadores, esses filmes ajudaram os insetos a afundar até o fundo do antigo lago, favorecendo a fossilização mesmo em períodos de aumento da salinidade da água. Arianny Storari, egressa do curso de doutorado em Biologia Animal da Ufes e atualmente pesquisadora de pós-doutorado na Alemanha, conta que, durante os experimentos, “observamos que, em água hipersalina, os insetos boiavam, e que por isso a presença de filmes microbianos provavelmente ajudou esses animais a afundar e, assim, a se fossilizar durante as épocas em que havia aumento da salinidade da água no antigo lago Crato”.
A pesquisa, de caráter multidisciplinar, também contribui para a reconstrução das condições ambientais de um antigo ecossistema aquático do período Cretáceo na América do Sul. O estudo foi publicado na revista científica Plos One e contou com a participação de pesquisadores da Ufes, da Universidade Federal de Viçosa, da Universidade Regional do Cariri e do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha.









