As “super ondas” como foram apelidadas as ondas de quatro metros que atingiram as orlas do Rio de Janeiro neste domingo (5), causaram um verdadeiro estrago por onde passaram, com vários casos de pessoas machucadas e até afogadas (veja imagens na íntegra no fim da matéria). Mas, afinal, elas podem acontecer no Espírito Santo?
O professor do Departamento de Oceanografia da UFES, Agnaldo Silva Martins, conta que estava no Rio de Janeiro neste fim de semana e presenciou as fortes ondas na praia de Ipanema. Segundo o especialista, a causa do fenômeno foi devida a passagem de um ciclone em alto mar. “O ciclone foi muito forte e, apesar de ser em alto mar, estava relativamente próximo do litoral”.
De acordo com o professor, as grandes ondas não eram o ciclone em si, mas sim resultado dos fortes ventos de mais de 80km/h formadores do ciclone. “O vento nessa velocidade gera fortes ondas que vão se aproximando da costa e chegam no litoral. Coincidiu de estar bem próximo a costa e com o feriado, o que ampliou o efeito dessas ondas, uma vez que houve casos de pessoas que se afogaram e machucaram”.
Segundo a professora também do Departamento de Oceanografia, Kyssyanne Samihra Oliveira, não é comum ondas dessas magnitude durante a primavera. “O El Niño contribui bastante para que a atmosfera estivesse mais quente e, por isso, o ciclone ganhou mais força. Apesar disso, embora não vejamos grandes ondas com tanto frequência, não é um fenômeno tão anormal assim”.
A especialista pontua que o fenômeno já era esperado para o litoral carioca, que estava sob alerta da marinha para grandes ondas. “Foi gerado um alerta que contava com previsão de ondas de até três metros e ontem chegamos a quatro metros ao longo de boa parte da orla sul do Rio. Hoje já abaixou para dois”.
Apesar de assustador, as grandes ondas são comuns durante a primavera, ressalta o professor. “Uma onda de quatro metros tão próxima da orla é uma questão importante, mas não significa que estejamos passando por uma situação fora do normal, muito pelo contrário, é relativamente comum durante a primavera. Mas o fato de você ter uma faixa de areia curta, foi uma das principais razões do estrago que gerou”.
E no ES, vai dar onda?
Questionada se há possibilidade do ciclone passar pela orla capixaba na mesma intensidade e distância que passou no Rio de Janeiro, a especialista explica que, na verdade, ele já está em mares capixabas. “A frente fria associada ao ciclone extratropical pela manhã já passou no litoral do Estado. Embora o tempo esteja aberto e com calor, ainda estamos sob a influência da frente fria”.
O Espírito Santo não está na área de alerta e o ciclone passa por aqui mais afastado da costa. “Por isso estamos vendo um aumento significativo no tamanho da ondas, mas nada que chegue a dimensão do Rio de Janeiro”, afirma Kyssyanne Samihra.
Vídeo
Em vídeo gravado por Hermes Fernandes é possível ver a força da água derrubando diversos banhista que estavam em pé e levando todos que estavam sentados na areia.









