Três pessoas sofrem racismo por parte de professores na Ufes

A vice-presidenta da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes), Jacyara Paiva, o Técnico em Assuntos Educacionais (TAE), Ronan Aguiar de Freitas, e a estudante da pós-graduação Larissa Evellyn Lourenço, todos negros, sofreram racismo por parte de professores.

O caso aconteceu na sala do café da Adufes no dia 26 de outubro. Ronan Aguiar aguardava Larissa, que já estava no local, quando teve a presença questionada por professores filiados à Adufes de forma inquisitória e em tom agressivo.

“A sala do café é, de fato, espaço destinado a docentes, sem que isso possa significar, de forma alguma, segregação, impedimento ou “patrulha” em relação às outras pessoas que desejem entrar no local. O racismo se evidencia sobretudo no fato de muitas pessoas brancas que não são docentes filiadas/os frequentarem o espaço, sem receber o mesmo tipo de abordagem feita pelos professores”, diz a Adufes, por nota.

Segundo a Adufes, outros casos aconteceram no mesmo espaço no final de setembro. Na presença de professoras negras, foram proferidas, por professores brancas/os, frases injuriosas sobre estudantes negras e negros com o uso da expressão “essa negrada” e “burros”.

“Na presença de docentes negras, foram feitas afirmações racistas de que uma universidade para todas/os não existe e que às/aos estudantes negras e negros deveriam ser destinados cursos não acadêmicos”.

A Adufes se solidarizou com as três vítimas e professoras negras que testemunharam as injúrias e falas racistas, bem como insinuações sobre a “qualidade” do alunado após a implantação da política de cotas e do SiSU.

“Juntamo-nos às/aos colegas na afirmação ético-política dos corpos negros em absolutamente todos os espaços de nossa sociedade marcada pelo racismo estrutural. Não admitiremos que atos racistas ocorram em lugar algum, em especial na Universidade e na sede do Sindicato, que são espaços que deveriam ser potência para a luta antirracista e não a extensão afrontosa da chaga racista que percorre toda a nossa história”.

A diretoria da Adufes diz que está tomando as providências necessárias para que seja “exposta e confrontada a lógica da branquitude arrogante, perversa e escravagista, que ganha expressão em atitudes e falas como as que foram feitas pelos docentes nas ocasiões relatadas”.

Tunico da Vila

No dia 21 de outubro, o cantor Tunico da Vila denunciou uma situação de racismo sofrido na Rua da Lama, em Jardim da Penha, Vitória. “Volta pra favela”, foi o que ele ouviu de um vendedor. “Eu, Tunico da Vila, negro, brasileiro, acabei de sofrer racismo aqui na Rua da Lama por um idiota que disse “volta pra favela”, uma injúria racial”, disse, em vídeo..

O cantor relatou que a esposa, Déborah Sathler, estava passeando com o porco de estimação do casal Soba, quando o vendedor se incomodou com a presença do animal e foi grosso com a mulher. “Ele ia gritar com ela e e eu disse ‘meu senhor, sai daqui, dá um tempo’ ele falou ‘pra volta pra favela, lá é seu lugar’. E o pior, ele é pardo”.

Tunico chamou a Polícia Militar e deixou uma orientação. “Não agridam. Chamem a polícia, ela é obrigada a fazer o papel dela, como fez hoje”.

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