Em Viana, pessoas com deficiência e seus familiares têm encontrado dificuldades em conseguir atendimento no Instituto de Assistência Gratuita, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Isso porque a organização atende quase o dobro de pessoas que a estrutura suporta.
Membros do Instituto relatam que o espaço físico para receber atendimento foi pensado no projeto de seu lançamento em 2010 – com um limite de atender no máximo 150 pessoas com deficiência da região de Viana. Hoje, treze anos depois, a mesma estrutura recebe 285 pessoas, além de 230 em uma lista de espera.
Com uma estrutura defasada, a Prefeitura de Viana, através do então prefeito Gilson Daniel, doou um terreno para a organização em 2019. Na ocasião, Gilson declarou que com o projeto pronto, iria se dispor para buscar recursos em Brasília para que a construção seja feita.
Apesar da doação, a Coordenadora e Assistente Social da APAE de Viana, Élida Fabiane Betini Calaes Machado, relata que o terreno doado não tem acessibilidade nenhuma. “Agora, estamos com a prefeitura tentando articulações para conseguir um terreno acessível para construção de uma sede”.
Com um filho com autismo, a Coordenadora dedica o seu tempo há mais de treze anos para ajudar outras pessoas que enfrentam outras deficiências na região de Viana. Ao ESHoje, Machado enfatiza que ninguém além dela sabe da importância da Apae na sua vida e na do seu filho.
“Os nossos problemas, inclusive de falta de profissionais, se deram pela falta de estrutura física. Nossos profissionais hoje têm uma remuneração atrativa que garante a permanência na Apae – essa foi uma vitória junto a administração, com aumento de repasses para essa finalidade”, relatou.
Para Élida, é preciso do apoio da comunidade para ajudar na luta de um novo espaço. “Nós estamos a disposição para apresentar nosso espaço, e convidar a comunidade para abraçar a causa de lutar por um lugar melhor para ampliar nossos atendimentos.”
Questionados sobre quais medidas a Prefeitura de Viana tem feito para ajudar a Apae, o município ressaltou a doação do terreno em 2019. Sem informar os problemas para pessoas com deficiência, a prefeitura enfatizou que foram mais de 2 mil metros quadrados para associação construir sua nova sede.
Além disso, foi relatado que em 2022 foram destinados mais de R$ 1,8 milhão em repasses financeiros à instituição, além de um veículo cedido para transporte. Também são realizados eventos beneficentes para apoio à associação, como os pedais solidários, que em duas edições já arrecadaram R$ 41 mil em doações para a APAE.
Enquanto isso, a mãe de um menino de 5 anos com autismo, aguarda atendimento na Apae de Viana. Fernanda Bicalho de Miranda, 34 anos, revela que seu filho foi diagnosticado com autismo e também tem apraxia de fala, por isso, faz terapia particular por tempo indeterminado. Mas como o custo é alto, tenta uma vaga na APAE de Marcílio de Noronha, Viana, no bairro que mora.
“Quando estive na APAE fui surpreendida com a informação de que ele entraria em uma fila de espera, onde possui 180 crianças na frente. Questionei algumas mães que já acompanham os filhos nessa APAE de Marcilio de Noronha e elas me relataram que demora sair vaga e também estão com rotatividade de terapeutas, por exemplo”, relatou.
Para Miranda, é preciso dar voz pra esse assunto, já que crianças com atraso no desenvolvimento não podem esperar em filas. “Quanto antes começar o tratamento melhor será o desenvolvimento da criança, visto que a neuroplasticidade acontece com maior velocidade até os 3 anos. A prefeitura de Viana recentemente realizou uma festa com rodeios, me questiono porque não investir na APAE”.
Questionamentos também foram feitos ao Governo do Espírito Santo, mas até o momento não houve retorno sobre a demanda encaminhada.









