Apesar de ser descrito por especialistas como um sentimento natural, o ciúmes, é o primeiro indício de uma relação perigosa na vida de um casal. Por isso, conversamos com profissionais da saúde para entender quando esse sentimento se torna perigoso.
No dia 26 de fevereiro, uma gerente de uma distribuidora de bebidas foi esfaqueada até a morte. Segundo testemunhas, Adriana Aparecida Amaral, de 48 anos, foi morta por uma mulher que estaria com ciúmes do contato de seu marido com a vítima.
Casos como este, passam despercebidos todos os dias. Segundo a Especialista, Mestre e Doutora em Saúde Mental, Marluce Mechelli de Siqueira, o ciúme é um sentimento que surge quando nos sentimos ameaçados de perder alguém querido, embora seja mais comum ocorrer nas relações de casais, podemos ter ciúmes de amigos e de familiares.
“O ciúme inofensivo é passageiro e ocorre devido a fatos reais. É um sentimento que não prejudica a vida de ninguém. Algumas pessoas dizem inclusive que esse tipo de ciúmes apimenta a relação. Contudo, quando esse medo da perda se transforma em uma obsessão e gera uma necessidade exagerada de controle, falamos de ciúme patológico.” explicou a especialista.
De acordo com o psiquiatra há mais de 20 anos, José Luis Leal de Oliveira, o ciúmes tem mais chance de virar uma patologia quando começa a trazer prejuízos às pessoas – e mesmo assim, quem sente não consegue controlar.
Para ele, esses casos geralmente começam com alguma desconfiança e possessividade que vão crescendo ao ponto de ficar pensando e vivendo em função disso, em alguns casos extremos resultam em impulsos agressivos na tentativa de controlar o outro.
A MENTE
Sobre a mente de uma pessoa ciumenta, a especialista em saúde mental, Marluce, explica que, uma pessoa ciumenta e possessiva começa a ter comportamentos e mania de perseguição, como obter as senhas das contas das redes sociais do parceiro, ver mensagens no celular e no computador, e até ir fisicamente atrás da pessoa para investigar “possíveis casos”. Sendo, este um dos fortes sinais de que algo vai muito mal na relação.
Nestes casos, o psiquiatra José Oliveira revela que o ciúme patológico é classificado como um transtorno delirante mas apresenta características semelhantes a algumas dependências comportamentais como o jogo patológico, dependência de internet e outros, e aumenta a chance do indivíduo desenvolver comportamento agressivo, inclusive feminicídio.
“Observamos em civilizações de povos originários ainda isolados algumas culturas que há o ciúmes porque é importante para a manutenção da prole e da vida social, e outras que não é algo relevante e por isso não é comum. Há algumas alterações como o alcoolismo e uso de drogas que podem alterar o funcionamento mental e com isso gerar um risco aumentado para a doença. E, há um peso cultural importante, o sentimento de posse, vigilância excessiva, sentimento de culpa e a competitividade são elementos que a chance de desenvolver o ciúme patológico”, completou o psiquiatra.
Segundo Siqueira, transtornos mentais podem aumentar o grau de ciúmes como o Transtorno de Personalidade Borderline. “Ele é caracterizado por um padrão generalizado de instabilidade e hipersensibilidade nos relacionamentos interpessoais, instabilidade na autoimagem, flutuações extremas de humor e impulsividade. O diagnóstico é por critérios clínicos. O tratamento é com psicoterapia e fármacos.”









