Dia do Refugiado: um chamado à hospitalidade que nasce no Evangelho

 

Dia do Refugiado: um chamado à hospitalidade que nasce no EvangelhoNesta sexta-feira, 20 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Refugiado, data instituída pela ONU para dar visibilidade a mais de 120 milhões de pessoas que, segundo estimativas recentes do ACNUR, foram forçadas a deixar suas casas por causa de guerras, perseguições ou graves violações de direitos humanos. Em meio a debates políticos, crises migratórias e discursos de intolerância, um olhar muitas vezes esquecido — mas fundamental — é o olhar da fé cristã. Poucos se lembram que o próprio Jesus Cristo conheceu de perto a condição de refugiado, e que toda a narrativa bíblica convida o povo de Deus a abrir as portas para quem não tem onde repousar a cabeça.

Jesus: o Deus que se fez deslocado

Logo nos primeiros capítulos do Evangelho de Mateus, a história que mudou o mundo passa por uma fuga. José, alertado em sonho, toma o menino Jesus e sua mãe Maria e foge com eles para o Egito, escapando da fúria de Herodes, que ordenara o massacre de crianças em Belém. Assim, o Salvador do mundo inicia sua caminhada neste mundo como um menino refugiado, protegido em terras estrangeiras. Este detalhe, às vezes pouco lembrado, revela uma verdade profunda: Deus se faz solidário desde o princípio com quem precisa deixar sua terra para sobreviver.

A lei de Deus e o cuidado com o estrangeiro

A preocupação divina com o migrante e o refugiado percorre toda a Bíblia. No Antigo Testamento, Israel era continuamente lembrado de sua história como povo escravizado no Egito — uma lembrança que deveria inspirar compaixão por todo forasteiro. Em Deuteronômio, lê-se: “Amarás, pois, o estrangeiro, pois foste estrangeiro na terra do Egito” (Dt 10:19). Levítico vai além: “Como o natural, entre vós, será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo…” (Lv 19:34). Assim, o cuidado com o refugiado não é moda recente: é um mandamento que nasce no coração do Deus que liberta.

O Evangelho: um Deus que habita entre os vulneráveis

No centro da fé cristã está a encarnação: o Filho de Deus se faz humano, frágil, pobre, desprezado — um verdadeiro “estrangeiro” entre nós. O apóstolo João registra: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1:14). E Paulo ressalta em Filipenses que Jesus “esvaziou-se a si mesmo”, assumindo a forma de servo. Não é coincidência que o Salvador tenha nascido em uma manjedoura, sem lugar na hospedaria, e logo tenha conhecido a vida de exilado. Para os cristãos, isso mostra que o próprio Deus conhece a dor de quem é arrancado de sua terra. E mais: Ele está presente onde há dor, miséria e exclusão.

refugiado evangelho
José e Maria fugiram para o Egito com Jesus para fugir no infanticídio promovido por Herodes

A hospitalidade como expressão de fé viva

No Novo Testamento, a hospitalidade não é opcional: é sinal de fidelidade. “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos” (Hb 13:2). E, na impactante descrição do Juízo Final, Jesus se identifica com o estrangeiro: “Fui estrangeiro, e me acolhestes” (Mt 25:35). Para os seguidores de Cristo, acolher quem foge da guerra, da fome ou da perseguição é, em última análise, acolher o próprio Cristo. É a fé que se traduz em ação concreta: abrir a porta, oferecer um prato de comida, ensinar a língua, apoiar a integração.

Peregrinos neste mundo

Pedro, em sua carta, chama os cristãos de “peregrinos e forasteiros” (1 Pe 2:11). Isso não é apenas uma metáfora bonita: é um lembrete de que, espiritualmente, todos estão de passagem neste mundo, aguardando uma pátria eterna. Essa perspectiva deveria aproximar o cristão de quem vive a migração na carne: afinal, ambos compartilham a condição de quem caminha em busca de um lar seguro.

No Brasil, solidariedade que transforma

Dia do Refugiado: um chamado à hospitalidade que nasce no Evangelho
Nos últimos anos, milhares de refugiados chegaram ao Brasil

No contexto brasileiro, o Dia do Refugiado é celebrado em 2025 com a campanha “Legado da Esperança: pessoas refugiadas liderando mudanças no Brasil”, promovida pelo ACNUR. Monumentos serão iluminados de azul entre os dias 16 e 22 de junho. De Manaus a Brasília, passando por Cuiabá e Belém, ações lembram que refugiados não são números, mas histórias de coragem, fé e reconstrução de vidas. Para as igrejas, esse é um campo fértil para viver o Evangelho com mãos, pés e coração abertos.

Um lembrete para todos nós

Neste Dia Mundial do Refugiado, olhar para a vida de Jesus nos lembra de uma verdade poderosa: Deus não está distante do sofrimento humano. Ele já esteve ali. E nos chama a estar também. Que o testemunho bíblico inspire comunidades de fé, governos, organizações e cidadãos a não fecharem suas portas. Porque cada ato de acolhimento ecoa o coração do Evangelho: “Fui estrangeiro, e me acolhestes.”


Para saber mais ou apoiar projetos de acolhida, visite www.acnur.org.br ou procure iniciativas de sua cidade. Ser parte da solução também é um ato de fé.

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