Pressão em Diniz é novo capítulo em briga política por Memphis

A sequência de quatro derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro aumentou a pressão sobre Fernando Diniz no Corinthians, mas o desgaste do treinador não está ligado apenas aos resultados em campo. Nos bastidores, aliados do presidente Osmar Stabile também questionam a postura pública do técnico em defesa da permanência de Memphis Depay.

Segundo apuração do UOL, parte do grupo político ligado à atual gestão era contra a renovação do atacante holandês por causa das pendências financeiras do clube com o elenco. Diniz, por outro lado, manifestou em diferentes ocasiões o desejo de continuar trabalhando com Memphis.

Esse posicionamento passou a ser usado por integrantes da política do clube como um dos argumentos para criticar o treinador. A avaliação desse grupo é de que a defesa pública do camisa 10 contribuiu para aumentar divisões internas e coincidiu com a piora dos resultados.

A pressão se concentra principalmente no Parque São Jorge. Diniz, segundo pessoas próximas à comissão técnica, percebe o movimento e entende que as disputas políticas passaram a influenciar a avaliação sobre o trabalho.

Apesar disso, o treinador ainda conta com respaldo no departamento de futebol. Internamente, a análise é de que o desempenho precisa ser considerado dentro de um contexto de dificuldades, como dívidas, atrasos em pagamentos, elenco curto, lesões e a impossibilidade de registrar novos jogadores por causa do transfer ban.

Quatro derrotas seguidas aumentam cobrança

O Corinthians perdeu as últimas quatro partidas no Campeonato Brasileiro, três delas na Neo Química Arena. O revés mais recente foi diante da Chapecoense, lanterna da competição.

Desde que assumiu o clube, Diniz soma 28 jogos, com 13 vitórias, sete empates e oito derrotas. O aproveitamento geral é de 55%.

No Brasileiro, são seis vitórias, quatro empates e seis derrotas em 16 partidas, com aproveitamento de 46%. Considerando apenas esse período, o Corinthians teria campanha equivalente à nona colocação.

A Libertadores também é usada internamente como argumento a favor da continuidade do treinador. Desde a fase de grupos, o time somou 15 pontos e teve a quarta melhor campanha entre os oito classificados.

Transfer ban dificultou chegada de reforços

Outro ponto considerado pelo departamento de futebol é a ausência de contratações desde a chegada de Diniz.

A comissão técnica já havia identificado a necessidade de reforços para as pontas do ataque. O Corinthians chegou a avançar por Wesley, mas a negociação foi interrompida pelo transfer ban. O jogador acabou indo para o Cruzeiro.

Everton Cebolinha também foi analisado. Inicialmente, o atacante priorizava uma transferência para o exterior e, quando mudou de posição, o Corinthians já estava impedido de registrar novos atletas.

Nesse cenário, a permanência de Memphis passou a ser vista pela diretoria como uma forma de manter uma peça importante no elenco sem depender de nova inscrição. A decisão, porém, aprofundou o incômodo de grupos políticos contrários à renovação.

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