Seleção adota regime de reclusão para quebrar jejum de Copa do Mundo

A três dias da estreia na Copa do Mundo, a seleção brasileira tem adotado uma tática mais reclusa fora dos gramados. Durante as entrevistas coletivas, há um auto policiamento dos atletas para evitar expor informações sobre o dia a dia da equipe.

Nas redes sociais, o comportamento é igual, sem postagem sobre o que acontece dentro da concentração da equipe para quebrar o jejum de 24 anos sem título mundial.

A postura dos jogadores não é uma determinação da CBF. O único pedido feito foi na apresentação da equipe, no dia 27 de maio, ainda no Brasil, em Teresópolis (RJ), sobre cuidado com os “excessos”, mas sem uma imposição sobre um código de conduta nas entrevistas e nas redes sociais.

Porém, entre os atletas, há um acordo velado para que não tenha uma divulgação interna dos bastidores da seleção. Até mesmo nas entrevistas tem tido um controle sobre o que é dito. Cotado a começar como titular improvisado na lateral direita contra o Marrocos, no sábado, em Nova Jersey, o zagueiro Roger Ibañez não quis dar pistas sobre a sua presença na equipe e brincou com a situação.

“A gente está trabalhando muito forte, dando o nosso melhor para estar o mais pronto para a estreia. Isto é o máximo que posso falar. Mais que isso vai dar ruim para mim”, disse Ibañez sobre como tem sido os treinamentos da seleção brasileira e se o técnico Carlo Ancelotti tem montado a equipe titular para a Copa do Mundo.

A concentração da seleção brasileira também reforça a ideia de reclusão que os jogadores desejam. O hotel localizado em Basking Ridge, uma cidade pacata que está a quase 60 quilômetros do Metlife, estádio em que o time vai estrear em Nova Jersey, garante uma privacidade ao grupo, com isolamento de torcedores e familiares que não têm acesso ao local.

A segurança na região foi reforçada desde a chegada da seleção e ninguém pode aguardar na porta do hotel, situação que é comum por todos as cidades em que a seleção brasileira passa pelo mundo, quando há uma grande aglomeração de pessoas aguardando ter algum contato com os selecionáveis.

Nas redes sociais, as postagens se restringem ao uso de conteúdos oficiais da CBF e da Fifa, além dos acordos comerciais. Na terça-feira, por exemplo, apenas 10 dos 26 jogadores fizeram uso do instagram com alguma publicação sobre o dia do grupo. Neymar, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá, por exemplo, apenas repostaram a sessão de fotos para os materiais da Fifa.

O volante Casemiro, que declarou no início da preparação para a Copa do Mundo que o período merece reclusão e um distanciamento das redes sociais, tem cumprido a promessa feita com publicações restritas sobre fotos de jogos da seleção, como no fim de semana contra o Egito.

A exceção são as publicidades. O jogador, que já anunciou a saída do Manchester United, mas que não confirmou em qual equipe vai jogar, fez uma propaganda de pilhas. Além dele, Danilo, Endrick, Luiz Henrique, Raphinha e Vinicius Junior também fizeram alguma ação comercial na terça-feira.

Em meio a esse ambiente de reclusão, o Brasil espera mostrar um bom futebol no sábado, na estreia da Copa do Mundo. O time enfrenta o Marrocos às 19 horas, no Metlife Stadium, em Nova Jersey.

São Paulo, FolhaPress – Thiago Rabelo 

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