Em versão ampliada, Copa do Mundo deve ter menor nível técnico da história

Em meados de 2017, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) anunciou que a Copa do Mundo passaria a ser disputada por 48 seleções a partir da edição de 2026, rompendo com o formato de 32 equipes adotado desde a França, em 1998.

Segundo a entidade, a decisão tinha como objetivo tornar o futebol mais global, dando a oportunidade a países cujas seleções não têm tanta tradição no esporte. Aumentar as receitas e angariar mais apoio político das federações também compunham o hall de intenções de Gianni Infantino, presidente da Fifa.

Na esteira da nova resolução, quatro seleções farão sua estreia na Copa do Mundo na América do Norte: Cabo Verde, Jordânia, Uzbequistão e Curaçao, essa última a menor nação em extensão territorial já classificada para uma edição do Mundial. É o maior número de debutantes desde 2006, quando seis equipes estrearam em Copas no torneio na Alemanha.

Com o aumento no número de seleções participantes, porém, outra consequência natural é uma provável redução no nível técnico dos confrontos, ao menos tendo como base o ranking de seleções masculinas da Fifa, elaborado desde agosto de 1993.

Com o aumento do número de participantes, o ranking médio das seleções classificadas à Copa do Mundo também subiu em relação às edições anteriores.
Para o Mundial que começa nesta quinta-feira (11), o ranking médio das 48 equipes é o 32,5º, com base na última atualização oficial da Fifa, em 1º de abril, antes das últimas rodadas dos amistosos preparatórios.

As seleções de pior ranking na Copa de 2026 são a da Nova Zelândia (85ª), que volta para sua terceira participação, após cair na primeira fase, sem nenhuma vitória, em 1982 e 2010, e a do Haiti (83ª), que retorna após a primeira e até então única participação, em 1974, quando acumulou três derrotas.

O pior confronto da primeira fase deve ser entre a estreante Cabo Verde, 67ª do ranking, e a Arábia Saudita, 61ª do mundo, chegando a um combinado de 128º.
A Copa de 1994, nos Estados Unidos, foi a última com 24 seleções, número adotado desde 1982. A edição que sagrou a seleção brasileira a primeira tetracampeã mundial também foi a que teve o melhor ranking médio, com base na colocação das equipes classificadas no início do torneio: 17º, aproximadamente.

A seleção de pior ranking da edição de 32 anos atrás era a da Bolívia, que ocupava na ocasião o posto de 43ª do mundo, em sua última participação em Mundiais desde então.
Além disso, o “pior confronto” daquela Copa do Mundo, considerando a soma dos rankings das equipes participantes, foi entre Bolívia e Coreia do Sul, com a seleção asiática na época ocupando o posto de 37ª do mundo, com um ranking somado de 80º.

A partir da Copa na França, em 1998, até a do Qatar, em 2022, o ranking médio passou a oscilar na faixa do vigésimo lugar, com o melhor patamar de 21,7º (em 1998 e 2002), e o pior de 26º, na África do Sul, em 2010.

Nas sete edições realizadas entre 1998 e 2022, a pior seleção que conseguiu se classificar, com base no ranking da Fifa, foi a da Coreia do Norte, então a 105ª do mundo em 2010, os norte-coreanos marcaram apenas um gol na Copa disputada na África do Sul, na derrota por 2 a 1 para o Brasil, e sofreram 12, a maior parte na goleada por 7 a 0 contra Portugal.

O pior confronto da história das Copas aconteceu na da Rússia, em 2018, envolvendo os anfitriões, na época ocupando o posto de 70º do ranking, e a Arábia Saudita (67º).
Na última Copa, no Qatar, Gana era a seleção de ranking mais baixo (61º), e o pior confronto foi entre os anfitriões (50º) e o Equador (44º).

São Paulo, FolhaPress – Lucas Bombana e Lívia Goulart

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