O Espírito Santo recebe a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, no dia 7 de Setembro, feriado da Independência do Brasil. Com o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, o movimento organiza atos em diferentes municípios capixabas.
Em Vitória, a concentração começa às 8h no Parque do Portal do Príncipe, em frente à Rodoviária. Após a abertura, os manifestantes seguem em caminhada até o Palácio Anchieta, sede do governo estadual.
“O grito dos excluídos e excluídas é uma atividade organizada pela Igreja e Movimentos Sociais que, há 31 anos faz ecoar o tema da Campanha da Fraternidade, unindo os gritos dos empobrecidos e das minorias sociais por vida, direitos e dignidade”, ressalta padre Kelder Brandão, vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica.
Atualmente, o Brasil registra 5,97 milhões de domicílios em déficit habitacional e outros 27,6 milhões em situação de inadequação (como infraestrutura precária, adensamento excessivo e insegurança fundiária), segundo a Fundação João Pinheiro. No centro desse cenário estão as famílias chefiadas por mulheres, que representam 62,6% do déficit habitacional no país.
“O 32º Grito traz uma pauta muito importante para esse tempo que estamos vivendo, especialmente neste período de determinar nossos futuros governantes. É muito importante estarmos nas ruas neste dia 7 de setembro. Nós queremos dizer que somos um país independente, queremos as mulheres vivas e as pessoas vivendo com dignidade em suas casas. Quando todas as pessoas tiverem seus direitos garantidos e respeitados, é que nós vamos poder falar de paz. A paz é fruto da justiça”, afirma Maria de Fátima Castelan, Secretária executiva do Vicariato Para Ação Social, Política e Ecumênica.
Tradicionalmente, o movimento faz um contraponto ao desfile oficial da Independência, com uma chamada à cidadania ativa e à luta por direitos. Em 2026 a manifestação concentra-se nos rostos e situações em que a vida se encontra mais ameaçada e vulnerável: na defesa da terra, da paz, da moradia e da soberania. E traz, de forma contundente, um eco feminino diante da realidade brutal e revoltante que se expressa no aumento do feminicídio: mais de 1.500 mulheres foram assassinadas somente em 2025, no país.
Convocação dos servidores
O Sindipúblicos, entidade que atua na organização do ato no Estado, reforça o chamado para a participação da categoria.
“Erguer a voz no Grito dos Excluídos é defender a soberania do nosso povo sobre suas próprias riquezas, sobre a terra, a água e os serviços públicos que garantem dignidade. Não existe soberania de fato sem justiça social: é preciso dividir de forma justa os bens deste país, incluindo quem historicamente foi excluído e excluída — e isso passa, com urgência, por dizer basta à violência que mata nossas mulheres. Convidamos nossos companheiros e companheiras a estarem nas ruas neste 7 de setembro porque sabemos que serviço público forte é o que sustenta os direitos de quem mais precisa, e porque não haverá país soberano enquanto houver mulheres sendo assassinadas todos os dias no Brasil”, afirma Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos.
Lema coletivo
A escolha do lema de cada edição é resultado de debates realizados ao longo do ano em todo o país, por meio da rede de articuladores do Grito. Em 2026, foram realizados três encontros nacionais on-line para troca de experiências e balanço das ações em cada estado.
História

O Grito dos Excluídos e Excluídas nasceu em 1994, durante a 2ª Semana Social Brasileira promovida pela CNBB, sob o tema “Brasil, alternativas e protagonistas”, em diálogo com a Campanha da Fraternidade de 1995. A primeira edição nas ruas ocorreu em 7 de setembro de 1995.
A escolha da data busca propor uma reflexão sobre a soberania nacional a partir da superação do patriotismo passivo, em direção a uma cidadania participativa.
A partir de 1996, o Grito passou a ser assumido oficialmente pela CNBB e se consolidou como uma manifestação popular e ecumênica permanente. O movimento reúne pessoas, entidades, sindicatos, igrejas e movimentos sociais em torno da causa dos direitos humanos.
Atualmente, integram a Coordenação Nacional do Grito: Cáritas Brasileira, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Central dos Movimentos Populares (CMP), Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Juventude Operária Católica (JOC), Jubileu Sul Brasil (JSB), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST), Pastoral Afro-Brasileira (PAB), Pastoral Carcerária (PCr), Pastoral da Juventude (PJ), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM), Pastoral Operária Nacional (PO), Pastoral do Povo de Rua (PPR), Rede Rua (RR), Romaria dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (RT) e Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM).










