Antes dos aterros mudarem a geografia da ilha, a Enseada do Suá era a Praia Comprida, a Ilha do Príncipe era totalmente cercada pelo mar e o centro da cidade abrigava o antigo Teatro Melpômene. A partir de 8 de setembro, moradores e turistas poderão navegar pela transformação urbana da capital capixaba por meio da mostra virtual “Vitória em Negativos de Vidro”.
A exposição faz parte da programação de aniversário da cidade e celebra os 200 anos da fotografia no mundo. O público terá acesso a 50 fotografias raras do início do século XX, resgatadas do acervo do Arquivo Público Municipal pelo recém-criado Núcleo de Memória de Vitória.
Restauração digital e tecnologia a favor da história
Para disponibilizar as imagens sem danificar as placas originais, os fotógrafos Carlos Antolini e Elizabeth Nader utilizaram técnicas modernas de captura e restauração digital. O trabalho exigiu o escaneamento em mesa de luz e a recomposição de materiais trincados antes do tratamento das imagens.
O acervo exposto revela detalhes inéditos do cotidiano e da arquitetura da cidade:
Locais extintos: Registros do antigo Teatro Melpômene, a entrada original do orquidário do Parque Moscoso e casarios históricos desapropriados.
Geografia original: Imagens da Ilha do Príncipe isolada por águas e a antiga extensão da Praia Comprida.
Obras e cotidiano: A construção da adutora de Duas Bocas (Cariacica), sepultamentos no Cemitério de Santo Antônio e a movimentação no Mercado da Vila Rubim.
O que são os negativos de vidro?
Desenvolvidos em 1871, os negativos de vidro em placa seca (dry plate) substituíram os métodos fotográficos anteriores ao dispensar a manipulação química imediata durante a tomada de cena. Esse avanço permitiu a fabricação em escala e facilitou a captura fora dos estúdios.
O acervo de Vitória preserva 117 placas secas. Por serem revestidas com gelatina e sensíveis à umidade, poeira e luz, o acesso físico ao acervo sempre foi restrito para evitar a degradação do material. A digitalização garante a preservação do patrimônio histórico e democratiza o acesso público à memória capixaba.















