Mais da metade dos municípios do Espírito Santo ainda apresenta desempenho abaixo do nível considerado bom em transparência e governança das ações de adaptação às mudanças climáticas. Dos 78 municípios avaliados no primeiro Ranking Capixaba de Transparência e Governança Pública – Adaptação Climática 2026, 41 ficaram nas classificações “regular”, “ruim” ou “péssimo”.
A média estadual foi de 56,4 pontos, dentro da faixa “regular”. Apenas 11 municípios alcançaram desempenho “ótimo” e outros 26 foram classificados como “bom”. Na outra metade da tabela, 25 ficaram em “regular”, dez em “ruim” e seis em “péssimo”.
O levantamento foi realizado pela Transparência Capixaba em parceria com o ES em Ação, a partir de metodologia desenvolvida pela Transparência Internacional – Brasil. A avaliação considera a preparação das prefeituras para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e desastres ambientais.
Entre os critérios estão planos e políticas de resiliência, estruturas de governança e espaços de participação. A pontuação não representa, isoladamente, o risco de uma cidade sofrer enchentes, secas, deslizamentos ou outros eventos extremos, nem mede a ocorrência desses fenômenos.
O resultado ocorre em um cenário de investimentos públicos para prevenção e adaptação climática. Em 2025, o Governo do Estado destinou recursos aos municípios por meio do Fundo Cidades – Adaptação às Mudanças Climáticas, voltado a obras e ações para reduzir os impactos de eventos extremos.
Em julho de 2025, o governo informou ter garantido cerca de R$ 407 milhões em repasses diretos às prefeituras para ações de prevenção e mitigação de eventos hidrológicos extremos, além de conservação e revitalização de recursos hídricos.
No fim de 2025, o Estado informou que os repasses garantidos desde 2023 para elaboração de projetos e execução de obras de adaptação climática já ultrapassavam R$ 600 milhões. Entre as intervenções estavam obras de drenagem e macrodrenagem, contenção de encostas, barragens, pontes, pavimentação e desassoreamento de rios.
Em 2026, o Fundo Cidades passou a contemplar também equipamentos e obras de infraestrutura urbana e rural. Para receber recursos destinados à adaptação climática, os municípios precisam cumprir requisitos relacionados à prevenção de desastres, incluindo a atualização do plano de contingência da Defesa Civil e a adesão ao Programa Cidades Resilientes.
Nesse contexto, o diretor de gestão do ES em Ação, André Brito, destacou que a transparência é parte da estrutura necessária para acompanhar as políticas públicas e os investimentos realizados pelos municípios em áreas como prevenção de desastres e adaptação climática.
“Bem, o nosso trabalho aqui hoje, ele não avalia as contas públicas. Obviamente que as contas públicas do Estado estão muito bem, a gente tem visto aí, a gente acompanha. Mas o nosso trabalho em si, ele é no ponto de vista da transparência dos serviços e da disponibilidade de informação”, afirmou.
Para Brito, a disponibilização de dados permite acompanhar as ações municipais, incluindo serviços públicos e obras que podem estar relacionados à preparação das cidades para eventos climáticos. “Eles estão trazendo as informações, eles estão alimentando os portais, eles estão disponibilizando de toda forma que possível as informações que são necessárias para trazer transparência para os indicadores municipais, dos serviços públicos que eles prestam, das obras que eles fazem.”
Santa Teresa lidera ranking
Santa Teresa ocupa a primeira posição no Espírito Santo, com 93,5 pontos. Logo depois aparecem Irupi, com 93,2, e Cariacica, com 92,5.
Também integram a faixa “ótimo” Viana, com 92 pontos; Aracruz, com 91,9; Vila Velha, com 91,4; Cachoeiro de Itapemirim, com 90,2; Vargem Alta, com 88,3; Sooretama, com 83,9; Alegre, com 81,7; e Serra, com 80 pontos.
As melhores posições não estão concentradas apenas nas maiores cidades. Irupi aparece em segundo lugar, enquanto Vargem Alta ocupa a oitava posição e Sooretama, a nona.
Vitória aparece na 31ª colocação, com 63,9 pontos, ainda na faixa “bom”. Guarapari está em 35º lugar, com 60,4 pontos.
Seis municípios têm desempenho “péssimo”
Águia Branca apresenta o menor resultado do Espírito Santo, com 9,6 pontos.
Também receberam a classificação “péssimo” Vila Valério, com 10,6; Água Doce do Norte, com 15,1; Brejetuba, com 15,5; Alfredo Chaves, com 18,1; e Baixo Guandu, com 19,3.
Outros dez municípios ficaram na faixa “ruim”: Presidente Kennedy, com 36,4; Rio Novo do Sul, com 35,6; Mantenópolis, com 33,8; Governador Lindenberg, com 32,1; Conceição da Barra, com 31,9; Pedro Canário, com 31,2; Colatina, com 29,3; Barra de São Francisco, com 28,3; Divino de São Lourenço, com 22,7; e Pinheiros, com 21,9.
ES em Ação aponta avanço
André Brito também avaliou que houve evolução na transparência dos municípios. Segundo ele, o levantamento registrou aumento de 25% na quantidade de cidades classificadas como “ótimo”.
“Nós tivemos um aumento de 25% dos municípios ótimos. A gente desde o ano passado não tem mais município ruim ou péssimo. Diminuímos a quantidade dos regulares e esses aumentos mostram que os municípios efetivamente estão prezando, estão valorizando a informação, a transparência, isso é que é importante para o cidadão”, afirmou.
O diretor também relacionou a evolução à maior disponibilidade de informações nos portais municipais. A transparência, nesse caso, permite que a população acompanhe indicadores, serviços e obras, inclusive iniciativas relacionadas à prevenção e à adaptação diante das condições climáticas.
O levantamento também é divulgado em um ano de eleições estaduais. Brito afirmou que o ES em Ação acompanha o processo político-eleitoral e defende a manutenção dos avanços na transparência.
“A gente tem que garantir a evolução que o Estado teve nos últimos 25 anos, 24 anos, e a gente não pode permitir retrocessos. Então vamos estar sempre atentos a todo processo político-eleitoral das informações que são vinculadas.”
O Índice de Transparência e Governança Pública atribui notas de zero a 100. Resultados entre 80 e 100 são classificados como “ótimo”; de 60 a 79,9, “bom”; de 40 a 59,9, “regular”; de 20 a 39,9, “ruim”; e de zero a 19,9, “péssimo”.










