Professores da rede municipal de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, entraram em estado de greve e podem paralisar as atividades ainda neste mês caso não haja avanço nas negociações com a Prefeitura. Uma assembleia marcada para 20 de agosto deve definir se a categoria vai ou não entrar em greve.
Segundo Carlos Duarte, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), as principais reivindicações são a melhoria dos salários e a revisão do plano de carreira do magistério municipal.
De acordo com o sindicato, o salário inicial de um professor graduado da rede municipal está atualmente em torno de R$ 3,2 mil. Para Duarte, houve um processo de perda de valorização salarial ao longo dos anos. “Quando eu fiz concurso, eu trabalhava em Vila Velha e Aracruz pagava seis vezes mais. Era ótimo o salário”, lembra.
O dirigente também critica mudanças na estrutura do plano de carreira. Segundo ele, a carreira considerava diferentes níveis de formação, começando pelo magistério e avançando para graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado.
Ainda de acordo com Duarte, a Prefeitura retirou o nível correspondente à formação em magistério e passou a considerar a formação superior como referência para o ingresso e o pagamento do piso. Para o sindicato, a mudança provocou uma distorção e contribuiu para a perda de valorização profissional.
“E o plano de carreira de Aracruz se transformou num monstro, e paga-se pouco”, criticou.
Reunião com prefeito aumenta tensão
A relação entre a categoria e a administração municipal ficou mais tensa após uma tentativa de reunião com o prefeito Dr. Coutinho.
Segundo Carlos Duarte, os professores haviam planejado uma manifestação em defesa da valorização profissional, mas decidiram suspender o ato depois que a diretoria do sindicato foi convocada para conversar com o prefeito. Os representantes foram ao local indicado, mas, de acordo com o dirigente, o prefeito não compareceu.
“Nós não fizemos a manifestação, o carro de som estava colocado. Porém, quando chegamos lá para conversar com o prefeito, o prefeito não estava”, relatou.
O episódio provocou indignação entre os profissionais. “Todo mundo se sentiu altamente traído”, afirmou.
Ainda segundo Duarte, professores que estavam mobilizados foram até a Prefeitura em busca de respostas.
“Os professores de Aracruz que estavam na rua, buscando melhores salários, seguiram para a prefeitura para acompanhar essa conversa, mas o prefeito nem estava para atender os professores”, declarou.
Sindicato também questiona terceirização
O Sindiupes também critica a situação de trabalhadores que atuam nas escolas em funções como auxiliares educacionais, cuidadores e cozinheiros. A entidade demonstra preocupação com a possibilidade de terceirização de algumas dessas funções e defende que a valorização alcance todos os profissionais que trabalham nas unidades de ensino.
“Todo trabalhador em escola, do portão para dentro”, reforçou Duarte.
Segundo o dirigente, a terceirização pode manter trabalhadores com salários baixos enquanto aumenta os custos para o poder público. O sindicato também teme que a substituição de profissionais prejudique a experiência e a qualificação das equipes escolares.
Greve ainda não foi aprovada
Até o momento, a greve não foi aprovada. A categoria permanece em estado de greve até a assembleia marcada para 20 de agosto, na Câmara Municipal de Aracruz.
A mobilização ocorre dez anos depois de uma greve realizada em 2016, quando cerca de 400 professores participaram de manifestações pelas ruas da cidade. Segundo Duarte, a paralisação foi considerada ilegal pela Justiça antes mesmo de começar. “O momento lá em Aracruz está muito crítico, está muito tenso”, afirmou.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Aracruz afirmou que reconhece a importância dos profissionais da educação e considera a valorização do magistério um compromisso permanente.
Sobre os salários, a administração disse que cumpre o piso nacional do magistério e mantém mecanismos de evolução funcional, como progressões horizontal, vertical e por merecimento.
A Prefeitura também informou que os servidores receberam reajuste de 5,3% em 2025 e de 6% em 2026, percentual que, segundo a gestão, ficou acima da inflação do período.
Em relação ao plano de carreira, a administração defendeu a exigência de formação superior para o ingresso na carreira do magistério e afirmou que não considera necessária a criação de um nível médio como etapa da carreira para promover a valorização dos professores.
A Prefeitura disse ainda que respeita o movimento sindical e que prefere buscar soluções por meio do diálogo e da negociação. Segundo a gestão, a política de valorização inclui remuneração, progressão na carreira, formação continuada e melhoria das condições de trabalho.
A administração afirmou que permanece aberta ao diálogo com os profissionais e entidades representativas e destacou que a rede municipal atende mais de 15 mil estudantes.










