Depois que pacientes de um médico ginecologista e obstetra denunciaram episódios de assédio e abuso sexual durante consultas, a Secretaria da Saúde (Sesa) informou que o suspeito não faz parte do quadro de servidores da Rede Estadual de Saúde e reforçou protocolos antes e durante o atendimento médico da especialidade.
Segundo os relatos, os casos aconteceram ao longo de mais de dez anos. Entre as ações do suspeito estão comentários inadequados e contato físico fora do contexto dos exames. As informações foram divulgadas com exclusividade pelo Instituto Mulheres Jornalistas.
De acordo com a Sesa, antes de qualquer exame clínico, a paciente deve ser informada sobre a finalidade do procedimento, a forma como ele será realizado e possíveis desconfortos. O exame só pode acontecer com consentimento livre e esclarecido, e a mulher tem o direito de recusar ou suspender a avaliação a qualquer momento.
A secretaria também informou que as normas garantem à paciente acolhimento respeitoso, privacidade e a presença de acompanhante de sua escolha, conforme prevê a legislação. Em situações específicas, ainda pode ser recomendada a presença de outro profissional de saúde como medida adicional de segurança.
Vítimas
Uma das vítimas é Rosi Faltz. Nas redes sociais, a mulher contou que que a própria mãe, uma idosa, passou por uma situação constrangedora durante um exame realizado em abril de 2026. Ela também relatou ter sido vítima do mesmo profissional.
Durante uma consulta, o médico tocou a mulher, que teve como reação bater na mão do suspeito. Ela entrou em contato com a secretária para relatar o fato, mas não teve acolhimento. Rosi procurou a delegacia, e momentos depois, o médico ligou pedindo desculpas dizendo que tudo se tratava de uma brincadeira.
Após a repercussão do caso, outras mulheres passaram a relatar experiências semelhantes envolvendo o mesmo médico.

Sesa esclarece protocolos
Segundo a secretaria, os atendimentos em ginecologia no Sistema Único de Saúde (SUS) seguem orientações do Ministério da Saúde, organizadas pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), com base em princípios como ética, segurança, respeito e autonomia da paciente.
A pasta do Governo Federal também orienta que os profissionais sigam protocolos técnicos e éticos em todas as condutas. É proibido qualquer comportamento inadequado, invasivo ou sem indicação clínica.
São considerados abusivos, por exemplo: realizar procedimentos sem o consentimento da paciente, fazer comentários de teor sexual, comentários de cunho sexual, realizar toques desnecessários ou adotar qualquer atitude que desrespeite a dignidade e a integridade da paciente.
Paciente pode recusar atendimento e fazer denúncia em prontuário
A Sesa reforça que em casos que gerem algum desconforto físico ou emocional, a paciente pode recusar o atendimento. A situação deve ser registrada no prontuário, como forma de respaldo técnico do profissional. Esse registro também deve esclarecer a ocorrência e os possíveis riscos da conduta adotada.
“Qualquer situação suspeita seja comunicada formalmente, para que aconteça uma apuração rigorosa e a adoção das medidas necessárias”, frisou.
Mais médicos indiciados
Este não é um caso isolado. Dois médicos foram indiciados após um parto realizado em maio de 2025, em Colatina, terminar com uma paciente com queimaduras graves. O que deveria ser um momento marcado pela chegada de um filho acabou se transformando em trauma.
Segundo a investigação da Polícia Civil, houve falhas consideradas essenciais durante a cesariana. Esses erros podem ter provocado o incêndio que atingiu a paciente. Situações como essa, embora raras, são tratadas como graves e evitáveis na prática médica.
O caso evidencia como a negligência pode gerar consequências severas. Além dos danos físicos, a jovem mãe ficou separada do filho recém-nascido por quase um mês, período em que permaneceu internada para tratamento especializado.
A responsabilização dos profissionais será analisada pela Justiça. A depender da decisão, o caso pode resultar em punições que ultrapassam a esfera administrativa. Para especialistas, o episódio reforça que a segurança do paciente depende não apenas da qualificação técnica, mas também do cumprimento rigoroso dos protocolos e da atenção constante aos riscos em cada etapa do atendimento.









