MST ocupa área da Samarco em Anchieta e bloqueia ferrovia

Cerca de 300 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na madrugada desta segunda-feira (9), uma área pertencente à Samarco no município de Anchieta, no Sul do estado. Segundo o movimento, a mobilização reúne principalmente mulheres do Espírito Santo e contou com a participação de integrantes do MST do Rio de Janeiro.

A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, realizada entre os dias 8 e 12 de março. De acordo com o MST, a ocupação tem como foco pautas relacionadas aos 10 anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), além de reivindicações ligadas à reforma agrária no Espírito Santo.

Além da mobilização em Anchieta, o movimento também realizou um ato em Minas Gerais. Segundo o MST, cerca de 700 mulheres bloquearam trechos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, no município de Tumiritinga, no leste mineiro.

De acordo com o movimento, as duas ações estão relacionadas à cobrança por medidas de reparação aos danos causados pelo rompimento da barragem, que atingiu municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo ao longo da bacia do Rio Doce.

Reivindicações no Espírito Santo

No Espírito Santo, o MST afirma que a ocupação também busca chamar atenção para a situação de famílias acampadas que aguardam assentamento. Segundo o movimento, há cerca de 1.500 famílias nessa condição no estado, além de 3.500 famílias já assentadas.

A organização também relaciona a mobilização a impactos ambientais e sociais atribuídos à atividade mineradora em Anchieta e em áreas ligadas à bacia do Rio Doce. Entre os pontos citados estão questões fundiárias, uso do solo e acesso à terra para produção agrícola.

10 anos de Mariana

O protesto ocorre no contexto dos 10 anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em novembro de 2015. O desastre atingiu comunidades de Minas Gerais e do Espírito Santo e teve reflexos ao longo da bacia do Rio Doce.

Segundo o MST, a jornada nacional realizada neste mês reúne ações em diferentes estados com pautas ligadas à reforma agrária, direitos sociais e questões ambientais.

Até o momento, o movimento não informou prazo para desocupação da área em Anchieta nem para o fim do bloqueio na ferrovia em Minas Gerais. A Vale informou que a circulação do trem foi suspensa nos dois sentidos devido à manifestação, e que passageiros afetados podem solicitar reembolso ou remarcação das passagens.

A Samarco confirmou, por meio de nota, que na “manhã desta segunda-feira (9/3), um grupo ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou uma área de propriedade da empresa, em Anchieta (ES), no Complexo de Ubu. A Samarco acionou as autoridades competentes, colabora com os órgãos de segurança e monitora a situação”.

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