O Espírito Santo registrou em 2024 uma queda expressiva da pobreza e alcançou o menor nível de desigualdade de renda desde o início da série histórica, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2025, divulgada pelo IBGE. O número de pessoas vivendo em extrema pobreza — renda inferior a US$ 2,15 por dia, o equivalente a R$ 219 mensais por pessoa — recuou de 108,5 mil, em 2023, para 70,8 mil em 2024. Isso representa uma redução de 2,7% para 1,7% da população, índice bem abaixo da média nacional de 3,5%.
A linha de pobreza mais ampla, que considera renda inferior a US$ 6,85 diários (R$ 698 mensais por pessoa), também apresentou melhora importante. O estado passou de 22,8% da população em 2023 para 18,6% em 2024, uma redução de 929,2 mil para 761,9 mil pessoas. O IBGE destaca que, sem programas de transferência de renda, esses percentuais seriam muito maiores: a extrema pobreza saltaria de 1,7% para 5,8% e a pobreza ampliada chegaria a 23,5%.
O avanço é acompanhado de crescimento na renda. O rendimento médio domiciliar per capita do Espírito Santo atingiu R$ 2.054 em 2024, o maior desde 2012. Em relação ao ano anterior, houve aumento de 5,7%. As mulheres viram a renda subir 8%, enquanto entre os homens o crescimento foi de 3,4%. Ainda assim, elas recebem menos: R$ 2.019 contra R$ 2.090.
A desigualdade também recuou. O Índice de Gini capixaba chegou a 0,480 em 2024, o menor já registrado pelo estado e o 12º mais baixo do país. O Índice de Palma também ficou entre os melhores resultados nacionais, marcando 2,91.
Apesar dos avanços, mais da metade da população capixaba ainda vive com até um salário mínimo per capita. Segundo o IBGE, 51,5% das pessoas estão nesse grupo, enquanto apenas 4,1% vivem em domicílios com renda acima de cinco salários mínimos por pessoa. O estudo também evidencia disparidades raciais: entre os 10% mais pobres, 74,1% são pessoas pretas ou pardas. No extremo oposto, entre os 10% mais ricos, 65,9% são brancos.









