Pela primeira vez em Vitória, a empresa EMEC, responsável pelos serviços de jardinagem terceirizados da Prefeitura da Capital, contratou dez mulheres para atuar como jardineiras na cidade. A conquista é resultado de dois anos de reivindicação do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores do Asseio, Conservação, Limpeza Pública Urbana e Conservação de Áreas Verdes (Sindilimpe-ES) junto à empresa e à administração municipal. E um passo importante rumo à ampliação da presença feminina em setores ainda marcados pelo preconceito e pela desigualdade de gênero.
Segundo a presidenta do Sindilimpe-ES, Evani Reis (Baiana), a medida ainda é tímida diante do potencial de contratação de mulheres, mas simboliza um avanço histórico na luta por igualdade de oportunidades. “As mulheres ainda são excluídas de áreas como a jardinagem, a coleta de lixo e a limpeza urbana. Ainda existe muito preconceito, muitas vezes velado, por causa da gravidez, do ciclo menstrual ou de visões ultrapassadas sobre o que as mulheres podem ou não fazer”, afirma.
Redução da violência doméstica
A dirigente sindical destaca que a presença feminina nessas funções fortalece a autonomia econômica e contribui para enfrentar a violência doméstica. “Quando uma mulher tem trabalho, renda e independência, ela tem mais condições de sair de situações de violência. É sobre empoderamento e dignidade. Além disso, as mulheres são extremamente competentes nas atribuições que exercem”, reforça Evani.
Outros municípios do Espírito Santo já contam com mulheres nas equipes de jardinagem, mas sempre em número reduzido. O Sindilimpe-ES trabalha para que a contratação em Vitória avance para mais mulheres e sirva de exemplo para a ampliação das oportunidades em outras cidades, incluindo funções como garis e coletoras, onde a presença feminina também é pequena.
“Como mulher e líder sindical, sei o quanto é difícil romper essas barreiras. Ver essas trabalhadoras começando a ocupar esses espaços é motivo de orgulho e esperança. As mulheres são tão capazes quanto os homens nessas funções”, conclui a presidenta do Sindilimpe-ES.









