No Brasil, foram registrados 46.409 homicídios em 2022 – o último da gestão Jair Bolsonaro (PL) -, ou 21,7 homicídios para cada 100 mil habitantes, mesma taxa de 2019. O ano de 2022 teve leva queda de 3,6% na comparação com 2021, quando a relação foi de 22,5 mortes registradas por 100 mil habitantes.
A despeito do Espírito Santo apresentar uma trajetória de redução de mortes violentas intencionais desde 2011 – quando foi instituído o programa Estado Presente – o estado seguiu em 2022 tendo a maior taxa de homicídios estimados da região Sudeste (32,6). Em 2019, depois de quatro anos de descontinuidade, houve a retomada do programa, reconhecido pelo Instituto Sou da Paz (2023) como referência nacional em gestão por resultado.
Naquele ano a UF logrou obter o mais baixo índice da série histórica. Não obstante as ações governamentais, duas facções disputam recorrentemente o território elevando as taxas de mortes, sendo elas o Trem Bala e o Primeiro Comando de Vitória (PCV), inspirado no PCC, mas ligado ao rival deste, o CV, e próximo também do grupo carioca Terceiro Comando Puro (TCP).
Ainda que tenha sofrido importantes baixas – como um dos principais nomes do PCV, o traficante Marujo, que foi preso em 2024 –, esse é considerado o maior grupo criminoso atuante no estado. Apesar de ter a sede na capital, a facção já se expandiu por todo o ES. As quatro cidades mais violentas em 2022 estavam no norte e noroeste do estado. Eram elas Vila Valério (94,7), Jaguaré (86,4), Sooretama (79,2) e Padro Canário (79,0).
A região vem também sofrendo com o aumento de crimes contra o patrimônio nas áreas rurais, que muitas vezes têm desfechos violentos com resultado nas estatísticas de homicídios. Além disso, o estado possui uma das maiores taxas de feminicídio e está em segundo lugar no ranking no Brasil do aumento do porte de arma de fogo, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2023).
Homicídios registrados e estimados
O Atlas da Violência, feito com dados de 2022, diferenciou homicídios registrados e estimados. Os registrados são aqueles cujos dados foram retirados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde.
Já os estimados somam homicídios registrados e ocultos – assassinatos, agressões, suicídios e acidentes que entram no sistema do Ministério da Saúde como causa indeterminada.
Para eliminar dados de suicídios, agressões e acidentes e filtrar apenas os possíveis homicídios, pesquisadores usaram ferramentas de aprendizado de máquina que levaram em consideração situações e características das vítimas.
A cidade do Rio de Janeiro teve taxa de homicídio em 21,3; Belo Horizonte 17,6; e São Paulo 15,4. Florianópolis teve a menor taxa de homicídios por habitantes (8,9) entre as capitais.
Os dados, contudo, podem sofrer distorção, a depender de como são lançados no sistema do governo federal. Segundo o Atlas da Violência, a cidade de São Paulo registrou apenas 344 dos 1.762 homicídios corretamente, e foi a única capital com mais homicídios ocultos do que registrados.
Dezenove estados têm taxa de homicídios acima da média nacional; DF, SP e SC puxam média para baixo.
Taxa de homicídios por 100 mil habitantes (2022)
Unidade Federativa – Registrados – Estimados
Brasil – 21,7 – 24,5
AC (Acre) – 26,4 – 26,7
AL (Alagoas) – 33,7 – 34,9
AP (Amapá) – 40,5 – 41,8
AM (Amazonas) – 42,5 – 43,5
BA (Bahia) – 45,1 – 46,8
CE (Ceará) – 32,6 – 39,0
DF (Distrito Federal) – 11,4 – 11,7
ES (Espírito Santo) – 27,7 – 32,6
GO (Goiás) – 23,1 – 24,4
MA (Maranhão) – 27,1 – 27,6
MT (Mato Grosso) – 30,3 – 32,1
MS (Mato Grosso do Sul) – 19,7 – 22,9
MG (Minas Gerais) – 12,5 – 14,6
PA (Pará) – 32,9 – 33,6
PB (Paraíba) – 27,2 – 27,4
PR (Paraná) – 22,3 – 23,6
PE (Pernambuco) – 35,2 – 37,7
PI (Piauí) – 24,1 – 25,2
RJ (Rio de Janeiro) – 21,4 – 26,2
RN (Rio Grande do Norte) – 32,5 – 35,5
RS (Rio Grande do Sul) – 17,1 – 17,9
RO (Rondônia) – 33,0 – 33,7
RR (Roraima) – 38,6 – 41,8
SC (Santa Catarina) – 9,1 – 9,7
SP (São Paulo) – 6,8 – 12,0
SE (Sergipe) – 32,7 – 34,3
TO (Tocantins) – 28,2 – 30,1
Fonte: Atlas da Violência 2023, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e Fórum Brasileiro de Segurança Pública









