Uma gestação gemelar gera um turbilhão de emoções. Foi assim com o casal Débora Cristina Santana Stein, 25, e Ademilson Rodrigues Paes Campos, 32, de Domingos Martins, que recebeu os bebês Davi e Bernardo.
Mas, apenas dois meses depois, uma imunodeficiência combinada grave, doença rara e muito severa, que resulta em baixos níveis de anticorpos (imunoglobulinas) e baixo ou ausente de células T (linfócitos), causou uma infecção nos gêmeos e um deles, Davi, infelizmente morreu.
Bernardo está há três meses internado, passará por um transplante de medula óssea em Curitiba, e o casal abriu uma vakinha para custear a estadia por lá. A meta deles era de R$ 10 mil e já foi até ultrapassada.
Os dois já são pais de Miguel, 8, e Júlia, 4. A vida de quem está doente não para sozinha. Imagina ter que deixar os filhos, trabalho, casa, tudo para trás e se mudar para um lugar que não conhece ninguém? Essa a realidade do casal.
Por essa situação, surgiu a “vakinha solidária”, para ajudar a manter os dois enquanto Bernardo faz tratamento. “Internado há três meses, não tinha como a gente manter a rotina, sendo que ele tem apenas seis meses”, explica Cristina.
História
Já pais de um casal, Cristina e Ademilson descobriram a gravidez gemelar de Davi e Bernardo. “Foi um baita susto, o pai achou que eu estava brincando quando eu disse que seriam duas crianças”, relata ela.
A gestação foi tranquila e, no dia 22 de fevereiro, eles nasceram, de 36 semanas, uma vitória para todos. “Eles nasceram muito bem e foram direto para o quarto”, lembra a mãe.
Quando estavam próximos de completar dois meses, os dois apresentaram sintomas gripais. Davi teve uma otite (infecção de ouvido) e Bernardo um chiado forte no peito. “Começamos a saga de ir atrás de ajuda médica onde morávamos. Os médicos passavam vários antibióticos fortes que não resolviam o que eles tinham nessas idas e vindas sem sucesso. Nem sequer pediram exames de sangue ou um raio-X”.
Em uma dessas idas ao hospital buscando solução para a situação dos filhos, um médico decidiu encaminhar Bernardo para internação em Vila Velha, com um quadro de pneumonia. ”Só o Bernardo foi pois disseram que Davi não era prioridade naquele momento”, diz a mãe.
Débora ficou com Bernardo e Ademilson em casa cuidando do Davi e dos outros irmãos. Mas o pequeno não apresentou melhora e, dois dias depois do irmão ser internado, ele também foi.
Davi foi internado em hospital de Vitória sob os cuidados do pai, enquanto Bernardo ficou com a mãe em um hospital de Vila Velha. “O estado de saúde do meu filho evoluiu para gravíssimo, por isso ele teve que ir para o hospital em Vitória, já entubado”.
A essa altura, os médicos já estavam fazendo exames para saber o que Davi tinha. Quando souberam que eram gêmeos e que o hospital onde Bernardo estava internado não investigava o motivo de ele não melhorar da pneumonia, uma médica pediu transferência para o hospital onde Davi estava.
Foi neste momento que o diagnóstico saiu. O que estava causando toda infecção nos irmãos era imunodeficiência combinada grave. Esse período sem diagnóstico acabou prejudicando o pequeno Davi, que morreu após uma semana de internação.
Ademilson ficou com Davi até o último momento, enquanto a mãe, com o outro gêmeo, seguia entre as lágrimas da perda e as preces para tivesse forças, já que Bernardo estava com a saúde um pouco melhor.
Esperança
O hospital de Vitória, sabendo do diagnóstico, fez uma solicitação para que o bebê fosse internado em Curitiba. Isso porque, no caso de Bernardo, o que resolve é um transplante de medula óssea. E, assim que a vaga saiu, eles foram. “Nós fomos de remoção até oAaeroporto. Lá um avião já nos aguardava para nos levar até o hospital”.
Mil trezentos e quarenta e nove quilômetros de saudade
O casal está morando em Curitiba desde o dia 31 de agosto. “Nós tivemos que largar tudo para cuidar da saúde dele. Nós morávamos de aluguel e entregamos a casa, nossos filhos estão com nossos parentes em Domingos Martins. Como a casa de apoio não permite que duas pessoas da mesma família fique morando, tivemos que alugar uma casa e estamos morando aqui. Ainda essa semana, meu filho vai começar uma nova etapa de tratamento para matar as células e, assim, fazer o transplante de medula óssea. A doadora será uma tia dele”.
TEXTO DE ANDRESA MOTA
EDIÇÃO DE THAIS ROSSI









