Patrícia Nunes Romano Tristão Pepino é das cinco advogadas que disputam vaga de desembargadora pelo Quinto Constitucional. Ainda jovem, Patrícia trilhou um caminho que a levaria ao Direito. “Eu estudei metalurgia na Escola Técnica, mas minha mãe era escrivã no Fórum de Vitória e eu sempre a acompanhava. Conheci todo mundo por lá e acabei me encantando pela advocacia”.
O amor pelo Direito, no entanto, não foi imediato. Patrícia até cogitou cursar Medicina e chegou a passar em algumas universidades, mas quando saiu a vaga para o curso ela já havia concluído o primeiro ano de Direito. Além do mais, o convite inesperado de um desembargador serviu de empurrão para que ela mudasse de rota.
“Logo que eu passei em Direito, um desembargador chamado Arione Vasconcelos Ribeiro me convidou pra ser assessora dele mesmo eu sendo estagiária de primeiro ano. E aí eu fui para o Tribunal [de Justiça do Espírito Santo]. Eu sempre fui muito estudiosa, e isso agradava o desembargador porque eu colaborava bastante na formatação dos relatórios de voto, cruzando as informações com as jurisprudências disponíveis, então eu aprendi muito e fui me apaixonando cada vez mais”, conta.
Mas Patrícia percebeu que no Tribunal de Justiça ela acompanhava apenas o final dos processos, o que não saciava sua curiosidade, já que ela queria entender como tudo começava. Por isso ela decidiu fazer um estágio no segundo ano da faculdade. Suas manhãs eram dedicadas ao Tribunal, as tardes ao escritório de advocacia e, à noite, frequentava a faculdade. Foi nessa rotina que ela se encantou pela advocacia, especialmente por gostar de lidar com pessoas.
“Aí eu me encantei pela parte da advocacia porque eu gosto de gente, então tinha aquela questão de saber como o processo começava, fazer teses, pesquisar, tinha desafios. Lá no Tribunal era o processo final, lá no início era tudo desafiador, é coisa de você estudar, de buscar, de conhecer gente, de ter essa ligação com o seu cliente e depois ter que lutar pra conseguir as coisas no Fórum com o juiz”, relata.
Mulher no Pleno do TJES
Com o tempo, Patrícia mergulhou no universo da advocacia. Seu escritório, que começou de forma modesta, foi crescendo com muito trabalho e dedicação. Com 22 anos de carreira, Patrícia hoje atua em diversas áreas, ao lado da irmã e do irmão, num escritório que ela mesma fundou. “Trabalhar com meus irmãos é maravilhoso. Claro que a gente briga às vezes, mas logo fazemos as pazes com um café”, conta entre risos.
Ela também carrega consigo a bandeira da representatividade feminina no Direito. “A mulher ainda é subjugada, mesmo com toda a sua competência. Eu sou prova viva disso. Muitos ainda perguntam se meu marido é advogado, se meu pai é advogado. Eles acham que eu sou advogada só porque alguém me deu alguma coisa”. Para Patrícia, é vital que as mulheres ocupem cargos de poder, não só pela justiça social, mas para que sirvam de espelho para as próximas gerações. “A mulher precisa exercer cargos de poder para que as novas gerações cresçam empoderadas”.
Agora, Patrícia está concorrendo ao Quinto Constitucional, uma vaga que ela acredita ser mais do que justa para uma mulher. “Em cem anos, nenhuma mulher entrou no Tribunal de Justiça do Espírito Santo pelo Quinto Constitucional. Acho que desta vez uma mulher deve ser eleita. (…) O Conselho Nacional de Justiça já apontou, a Organização das Nações Unidas também, que é preciso colocar mulheres à frente do poder”, argumenta.
Caso seja escolhida para a vaga de desembargadora, Patrícia Romano pretende manter um estilo de gestão em que ouvir as pessoas será uma prioridade, pois ela acredita que sempre há algo novo para aprender diariamente. Ela se compromete a buscar fazer justiça de maneira ágil, mantendo seu gabinete de portas abertas. Além disso, ela defende o uso de tecnologias para acelerar processos.
“Hoje em dia, o seu domicílio é o seu celular, e nós já conseguimos fazer citação por WhatsApp, porque o AR não funciona mais, as pessoas não ficam em casa. Precisamos usar a tecnologia para desburocratizar o sistema”, avalia.











Muito competente! Orgulho e exemplo para as mulheres capixabas!
Vai representar muito bem sendo a primeira DESEMBARGADORA eleita pelo quinto Constitucional!!
Amei a reportagem