Sarah Merçon destaca perfil técnico para vaga de desembargadora pelo Quinto Constitucional

Ela tem 40 anos, é natural de Vitória, mas, assim que se formou em Direito, em 2006, foi viver em São Paulo, onde se apaixonou pela advocacia. Sarah Merçon-Vargas é uma profissional reservada. Prefere falar sobre o trabalho do que sobre sua vida pessoal. O máximo que ela deixou escapar na conversa com ES Hoje é que ela é divorciada e tem um filho.

Sarah formou-se em Direito na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2006, fez mestrado e doutorado em Direito Processual na Universidade de São Paulo (USP). “Eu queria essa vivência da intensidade da cidade de São Paulo. Eu queria uma vivência fora um pouco daqui, também, e São Paulo era onde estavam os meus grandes mestres, as pessoas que escreveram os livros que eu estudei. Alguns amigos estavam fazendo esse movimento também e me pareceu que seria uma boa ideia e realmente foi”, conta a advogada.

Em São Paulo, Sarah teve experiências que marcaram sua carreira. Ela lembra de dois casos especialmente importantes para sua vida profissional. Um deles foi por volta de 2012, época em que ocorria a reforma do então estádio Palestra Itália. Ela menciona que a obra havia sofrido uma espécie de embargo e o escritório em que ela trabalhava na época foi contratado para atuar na tentativa de liberar a obra.

“Foi um trabalho bastante extenso, mas deu certo, eu fiquei muito feliz. Foi naquele contexto da Copa, então tinha uma pressão para a gente resolver. Foi uma ação coletiva em que se impugnavam as obras, o projeto de reforma do estádio, então foi uma questão urbanística-ambiental. Foi um caso em que eu tive que abrir o processo administrativo de aprovação da reforma, eram uns 40 volumes. Eu lembro de ficar imersa, rodeada de pastas. Foi um pouco isso, de tentar pegar nos detalhes pra ver como tinha sido o processo, ver se efetivamente tinha alguma irregularidade, e não tinha. A aprovação pela Prefeitura de São Paulo tinha sido muito rigorosa. Montei uma defesa com base nisso e, graças a Deus, tivemos êxito. Foi muito bom, me marcou muito”, relata.

Outro caso do qual Sarah recorda é de logo que ela começou a advogar. Trata-se, segundo a advogada, de um caso de sancionamento por completamento de chamada telefônica. Ela conta que atuou na defesa de grandes operadoras de telefonia que estavam sofrendo sanções regulatórias injustas e a equipe da qual ela fazia parte precisava contestar essas sanções. “E aí foi uma imersão na matéria, um detalhamento do caso, foi um trabalho em que eu tive oportunidade de atuar com grandes advogados, como professor Arruda Alvim, professor Carlos Ari Sundfeld, que foi parecerista na circunstância, então a gente, em alguma medida, trabalhou junto. Eu era novinha, aquilo pra mim foi uma honra absoluta. Um caso que me marcou muito logo no início da minha carreira quando eu ainda estava em São Paulo”, lembra.

Essa paixão que Sarah tem pela advocacia não veio junto com a faculdade de Direito. Na verdade, ela pensava em fazer concurso público. Foi antes de se tornar advogada que ela teve uma experiência que transformou a vida dela para sempre.

“Quando você se forma, você faz o exame de Ordem e vira advogada. E aí, antes de eu me tornar advogada eu tive a grande oportunidade de trabalhar com o professor Arruda Alvim, em São Paulo, que era um grande advogado. Então eu, que nem pretendia advogar, comecei com um cara que é absolutamente fora de série. E aí eu me encantei pela profissão, e da mesma forma que eu me encantei, as oportunidades surgiram de uma forma tão natural, a fluidez no trabalho, o êxito nas causas, e eu fui vendo, gente, esse aqui é um mundo que eu não conhecia. E aí eu passei a admirar a advocacia e as dificuldades inerentes, que é estar na iniciativa privada, que é ser empreendedor de si mesmo, e aquilo me encantou e se tornou minha carreira”, detalha.

A outra face de Sarah Merçon-Vargas é a de professora de ensino superior, algo que ela gosta muito de fazer, pois acredita que lecionar refina o trabalho da advocacia. “Eu vejo a minha carreira como professora como uma atividade que complementa muito bem a minha advocacia, porque ela me dá repertório. Eu leciono sobre os institutos e eu os conheço, então isso me dá capital pra usar na gestão, nas soluções dos meus casos jurídicos no escritório. Eu acho isso muito importante e me dá profundidade também”, analisa.

Questionada como pretende atuar se for alçada à vaga de desembargadora, Sarah destaca que tem um perfil técnico e que preza pela qualidade das relações, além de ter uma forte veia acadêmica. Ela destaca que é muito crítica de algumas posturas com as quais já teve que lidar em sua carreira como advogada, por exemplo, o fato de não conseguir despachar com desembargadores.

“Inclusive, aqui no TJES eu não me recordo de ter passado por isso. Eu fiz advocacia nacional muito tempo porque, apesar de estar em São Paulo, lá você advoga para o país inteiro. E você enfrenta esse tipo de situação. Eu acho muito importante a pessoa que for escolhida nessa vaga do Quinto ser uma pessoa que honre efetivamente essa vaga no sentido de lembrar-se da essencialidade do papel da advocacia no exercício da magistratura, uma pessoa que seja franca no atendimento aos advogados, que o gabinete esteja aberto. Isso, pra mim, é absolutamente imprescindível. Eu sou assim nas minhas relações até aqui e considero que isso é fundamental pra quem quer que ocupe essa posição”, enfatiza.

Quanto ao motivo de ter decidido concorrer à vaga de desembargadora do TJES, Sarah já não é tão direta. Para ela, é uma pergunta difícil de responder. “A advocacia foi uma profissão que eu não escolhi no começo, mas a vida me apresentou, e às vezes a vida te dá coisas melhores do que você planeja. Eu me vejo assim na advocacia”, declarou. Ela enfatizou como a carreira jurídica abriu muitas portas e lhe proporcionou grande parte do que ela possui hoje.

Com a crescente demanda por mulheres em posições de destaque, a advogada viu uma oportunidade natural de avançar em sua carreira. “Existe uma exigência, num bom sentido, de que se tenham mulheres em certas posições. Eu vi algumas amigas em outros estados traçarem cursos nessa linha”, afirmou. A possibilidade de disputar a vaga a inspirou a apresentar seu perfil técnico e discreto, com uma trajetória consistente e um escritório de advocacia estabelecido em seu nome. “Nesse sentido, pareceu uma boa oportunidade para me apresentar e me colocar à disposição da classe para compor e ocupar essa posição”, concluiu.

 

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