Fabiano Cabral: “sempre sonhei em ser desembargador”

“Eu sempre sonhei em ser desembargador, em trabalhar como advogado e, em um dado momento, virar desembargador”. Assim responde à reportagem de ES Hoje o advogado Fabiano Cabral Dias, 53, um dos interessados em compor o pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo pelo Quinto Constitucional da advocacia capixaba.

Natural de Vitória, Fabiano Cabral Dias tem 53 anos, é casado e pai de três filhos. Ele diz que esse sonho é cultivado desde a época da faculdade. “Para mim, sempre foi um sonho. Além de você devolver à sociedade aquilo que você adquiriu com o passar do tempo”, comenta o advogado, que estudou Direito na Universidade Vila Velha (UVV) e se formou em 1995.

Fabiano cresceu em uma família de classe média e estudou no colégio Salesiano, sempre sonhando em seguir a carreira de advogado, mesmo sem influência familiar.

Questionado como pretende trabalhar se for alçado ao cargo de desembargador no TJES, Fabiano acredita em manter um gabinete acessível e aberto para advogados, buscando minimizar as dificuldades enfrentadas por eles e por suas partes, e vê a função pública como um serviço de atendimento e suporte à comunidade.

Jornada dupla

Após ser aprovado na UVV, ele conciliou estágios durante o dia para custear a faculdade à noite. Quando se formou, montou um escritório com uma amiga, que posteriormente deixou o projeto, e ele seguiu sozinho, mantendo o escritório ativo até hoje.

No período da faculdade, Fabiano precisou estagiar durante o dia para pagar a faculdade à noite. Ele descreve essa experiência como engrandecedor, algo que lhe trouxe responsabilidade e o ensinou que o único caminho para a vitória é ter foco e realizar as tarefas com excelência.

Segundo ele, não havia espaço para ser “mais ou menos” e a dedicação precisava ser total. “Quando eu era estagiário, eu era o melhor estagiário porque eu não podia perder aquele estágio senão eu perdia a faculdade”, afirma Fabiano.

Ele também buscava ter notas excelentes e assimilar o máximo possível, pois sentia que, se não fizesse isso, estaria desperdiçando dinheiro. “Uma experiência incrível que eu tive foi esta: ter que custear a minha própria faculdade. Depois eu virei bolsista, mas continuei estagiando”, lembra.

Em seus 29 anos de carreira, o advogado diz, com orgulho, que dedicou pelo menos 26 anos a serviços voluntários na Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo (OAB-ES). Ele foi um dos fundadores da Comissão Estadual de Advogados em Início de Carreira, atualmente conhecida como Jovem Advocacia.

Também atuou como membro do Tribunal de Ética e Disciplina, conselheiro de Subseção, presidente da Comissão de Combate à Corrupção e membro do Órgão Especial da OAB-ES. Sua dedicação à advocacia sempre esteve voltada para o dia a dia dos fóruns, lidando com processos físicos em uma época anterior ao processo eletrônico, o que exigia constantes visitas aos fóruns para despachar e acompanhar publicações.

“Durante um bom tempo eu contribuí com a classe. Conheço bastante o sistema OAB, bem como eu sei quais são as dores da advocacia, porque a minha advocacia sempre foi muito voltada para balcão, eu sempre tinha que ir muito a fórum despachar, ver andamentos. Naquela época não era processo eletrônico, era tudo processo físico. Muitas vezes a gente usava tipo um carrinho para puxar os processos, porque tinham processos de 10, 15 volumes. Então tudo isso eu fiz. Eu sempre vivi da advocacia. A advocacia sustenta e sustentou a minha família”, menciona Fabiano.

Especialidades

O advogado  é especializado em Compliance, Segurança Pública e Defesa do Consumidor, e atua principalmente na área empresarial, abrangendo questões trabalhistas, cíveis e de direito do consumidor. Embora tenha dado aulas por um ano, Fabiano diz que não conseguiu conciliar a docência com a advocacia e optou por se dedicar inteiramente ao escritório.

Ele também atua na Mitra Arquidiocesana de Vitória há 10 anos, onde trabalha no Tribunal Eclesiástico, assessora em casos de nulidades de matrimônios, faz triagens, atendimentos e oitivas das partes e testemunhas. Sua formação católica e o envolvimento na paróquia o levaram a essa função, inicialmente voluntária, até ser formalmente convidado  para ser advogado da Mitra.

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