Em novembro, Santa Teresa deixa de ser apenas destino de quem procura clima de montanha, colibris e herança italiana para se tornar um grande salão de arte a céu aberto. De 3 a 30 de novembro de 2026, a cidade da região centro-serrana do Espírito Santo recebe o REVOADA: Salão de Artes Integradas, que espalha esculturas, instalações, pinturas e objetos por espaços culturais e áreas ao ar livre, ao lado de uma programação de teatro, música, circo, oficinas e gastronomia. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.
O salão reúne artistas capixabas e convidados de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo. A concepção, a produção, a curadoria e a expografia são de Vania Cáus, e a gestão é de Lourdes Ferolla.
O nome não é casual. A proposta do REVOADA é tirar a arte do circuito expositivo tradicional e fazê-la circular pela cidade, como um bando que se espalha pelo território. Nesse percurso, as obras e as atividades entram em diálogo com três eixos caros a Santa Teresa: a natureza, a memória e a infância.
Esculturas entre as árvores

A abertura acontece no dia 3 de novembro, às 10h, na área de visitação do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). Ali, esculturas e instalações pensadas especificamente para espaços abertos ocupam a paisagem da floresta e passam a conversar com ela: com a luz que atravessa as copas, com a umidade, com os sons e com o percurso de quem caminha pela mata.
Assinam os trabalhos Kyria Oliveira (ES), Danielle Monteiro (MG), Edvan Rodrigues (ES), Igor Reis (MG) e Pedro Kubitschek (MG). No dia da abertura, a visitação mediada segue até as 12h.
A escolha do INMA como ponto de partida diz muito sobre o espírito do salão. Em vez do cubo branco, a obra divide o espaço com a Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do país e parte da identidade de Santa Teresa.
Pinturas e objetos na Galeria
Na tarde do mesmo dia 3, às 15h, o salão desce para a Galeria de Arte de Santa Teresa. O espaço reúne pinturas e objetos de Cristina Rovesse (MG), Eliane Consalter (SP), Gabriel Araujo (MG), Laura Alkmím (MG), Maria Stefanon (ES), Máximo (RJ) e Sandro Barçal (RJ). A visitação mediada da abertura vai até as 17h.
Somando os dois núcleos, são doze artistas de quatro estados, com presença marcante de Minas Gerais, vizinho do Espírito Santo também na cena das artes.
O público ajuda a escolher os premiados
O REVOADA não se limita à contemplação. Os visitantes podem participar da escolha dos trabalhos premiados, que concorrem a prêmios aquisitivos de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1 mil. A seleção combina três vozes: o voto popular presencial, a curadoria e representantes das instituições parceiras.
Por serem aquisitivos, os prêmios garantem que as obras vencedoras sejam incorporadas a um acervo, prolongando a presença do salão para além de novembro. O resultado será anunciado no dia 21 de novembro, às 16h, na Galeria de Arte de Santa Teresa.
A cidade como palco
Fora das salas expositivas, o REVOADA ocupa ruas e outros pontos da cidade com atrações para públicos de todas as idades.
No dia 7 de novembro, às 18h, o Grupo Árvore Casa das Artes apresenta o espetáculo Ayla e Marmelo no auditório do INMA. Na mesma data, às 14h, a artista Maria Stefanon, que também expõe na Galeria, conduz uma oficina de arte no instituto, aberta aos interessados.
A Rua do Lazer, em frente ao Bar Elite, recebe duas atrações. No dia 14, das 15h às 17h30, Márcia Chagas e Victor Humberto fazem uma apresentação de voz e violão. No dia 28, às 16h, o Cirquinho da Árvore, também do Grupo Árvore Casa das Artes, arma seu picadeiro no mesmo endereço, com um espetáculo pensado especialmente para as crianças.
Roda de conversa
O dia 21 de novembro concentra o momento de reflexão do salão. Às 14h, duas horas antes do anúncio dos premiados, a Galeria de Arte de Santa Teresa recebe uma roda de conversa com os artistas expositores, a curadora Vania Cáus e o crítico de arte Rodrigo Hipólito e convidados.
Em pauta estão os processos criativos, a curadoria e as relações entre arte e território, tema que atravessa toda a proposta de um salão que escolheu a mata, a rua e a memória local como suportes.
Limoncello e biscoito “mentira”
A memória afetiva da imigração italiana, que marca a história de Santa Teresa, ganha espaço no dia 22 de novembro. Às 10h, o Chalé Azul, no Vale do Caravaggio, recebe uma vivência de fabricação de limoncello, o licor italiano à base de limão.
Para as crianças, o chef André Luiz Ferolla ensina a preparar o biscoito “mentira”, receita de tradição italiana guardada na memória das famílias da região. A oficina infantil tem dez vagas gratuitas, e as inscrições devem ser feitas presencialmente na Secretaria de Turismo de Santa Teresa até o dia 20 de novembro.
Ao incluir a cozinha na programação, o REVOADA amplia a ideia de arte integrada: o gesto de fazer um biscoito ou um licor também é transmissão de saber, memória e pertencimento.










