Aurora Gordon lança álbum “Cosmorama Total” em noite de celebração à contracultura capixaba

O palco do Theatro Carlos Gomes, em Vitória, será tomado por música, memória e experimentação no próximo dia 19, às 20 horas, com o lançamento oficial de “Cosmorama Total”, novo álbum do Aurora Gordon. A apresentação é gratuita e aberta ao público, mediante retirada de ingressos na bilheteria do teatro uma hora antes do início do espetáculo.

O Cosmorama Total 

Quarto álbum da trajetória do grupo, “Cosmorama Total” mergulha no universo da contracultura capixaba para recuperar canções, personagens e sonoridades que ajudaram a construir uma das fases mais inventivas da música produzida no Estado. No palco, o Aurora Gordon recebe convidados especiais que ampliam essa ponte entre diferentes tempos e gerações: André Prando, Tamy, Mariana Volker, Dan Abranches e Roberta de Razão.

Para o vocalista e um dos produtores do álbum, Murilo Abreu, o novo trabalho representa mais do que o lançamento de um disco. É uma oportunidade de colocar novamente em circulação uma memória musical que permanece viva.

“O Cosmorama Total é um disco feito de encontros. A gente olha para trás, resgata essa produção tão ousada da contracultura capixaba, mas não quer fazer um trabalho de museu. Queremos que essas músicas voltem a respirar, encontrem outras vozes, outros corpos e outras gerações”, destaca Murilo.

O repertório reúne versões de obras de Afonso Abreu, Aprígio Lyrio, Rogério Coimbra, Arlindo Castro, Os Mamíferos, Paulo Branco, Chico Lessa, Ronaldo Alves, entre outros artistas ligados a esse movimento. O elo entre as canções é justamente a efervescência cultural que marcou a contracultura capixaba, em diálogo com a atmosfera de contestação, liberdade e experimentação que tomou conta da música mundial a partir das décadas de 1960 e 1970.

Momentos especiais da noite 

Uma das grandes homenagens do álbum é dedicada a Chico Lessa, artista que morreu em 2024, e teve participação efetiva na história do Clube da Esquina. Sua presença ultrapassa a memória: sua voz estará incorporada ao próprio álbum e também será levada ao palco no espetáculo de lançamento.

Outro momento especial será a apresentação de “Não tem nada não, my Friend”, canção originalmente gravada por Afonso Abreu em 1969, que ganha uma nova leitura na voz de Murilo Abreu, com participação especial de André Prando. A colaboração simboliza uma das principais propostas do projeto: fazer a música atravessar gerações sem perder sua força original.

Trajetória do Aurora Gordon

A história do Aurora Gordon começou em 2005, a partir do movimento de resgate da produção da contracultura capixaba. Ao longo de duas décadas, o grupo vem revisitando o legado de nomes como Afonso Abreu, Aprígio Lyrio, Mário Rui, Marco Antônio Grijó, Rogério Coimbra, Arlindo Castro, Paulo Branco, Sérgio Regis e Chico Lessa, transformando memória em matéria-prima para novas experiências musicais.

O novo álbum se soma a uma trajetória que passou por diferentes momentos marcantes. Em 2011, o Aurora Gordon integrou a primeira edição do Espírito Mundo, realizando uma turnê pela Europa, com apresentações na França. Em 2015, lançou “Na Ponte da Passagem”, no Sesc Glória, reunindo Murilo Abreu nos vocais e Rodolfo Simor nas guitarras. O disco recuperava canções apresentadas por Afonso Abreu no histórico show realizado no Teatro Carlos Gomes em 1974.

A apresentação de 2015 também reuniu uma geração expressiva da música capixaba, com participações de Silva, Amélia Barreto, Pedro Alcântara, Lucas Arruda, Saulo Simonassi, Tamy Duarte Macedo, Fe Paschoal e Juliano Rabujah. Em 2016, o grupo voltou ao Teatro da Ufes para um show associado ao lançamento de livro. Já em 2019, participou do longa documental “Diante dos meus olhos”, de André Felix, selecionado para o Festival Cinematográfico Internacional del Uruguay e para o Festival de Cinema de Vitória, entre outros festivais nacionais e internacionais.

Em 2024, o Aurora Gordon participou do Tenda Lab, em Vitória, em 2025, integrou o evento Delírio Tropical, em Vila Velha, mantendo ativa sua presença na cena cultural capixaba.

“Cosmorama Total” nasce não só como um disco de arquivo e de descoberta, mas também como uma provocação para o presente. Se a contracultura surgiu como uma reação aos valores tradicionais, ao consumismo, à guerra e à moral conservadora, sua música encontrou na liberdade e na experimentação uma forma de imaginar outros mundos.

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