Cine Callejero promove cinema latino-americano em Vitória

O Cineclube El Caracol realiza nesta sexta-feira, 21 de agosto, às 19h30, a terceira sessão da temporada Cine Callejero 2026, na Escadaria da Piedade, no Centro de Vitória. A entrada é gratuita e a programação reúne sete curtas-metragens brasileiros e latino-americanos, entre ficção, documentário e cinema experimental.

Depois das exibições, o público é convidado a conversar sobre os filmes. A prática retoma uma característica do movimento cineclubista: assistir coletivamente, refletir e trocar experiências a partir das obras.

Os filmes selecionados tratam de temas como luto, relações familiares, especulação imobiliária, desigualdade, abandono urbano, identidade, ancestralidade e resistência, a partir de personagens, territórios e memórias diversos.

Um dos filmes é “Amigo Irmão”, do capixaba Brenno Maurício, que usa poesia para contar uma história sobre saudade, sobrevivência e luto no cotidiano do Morro do Romão, em Vitória. Também está na sessão “Coisa Triste Eu Esqueço”, de Lívia de Castro, que resgata a história dos antigos cinemas de rua de Natal por meio da memória de moradores e trabalhadores.

A relação entre memória e cidade aparece ainda em “Trajeto do Desmoronamento”, de Helena Antunes, que acompanha uma mulher em meio às ruínas da especulação imobiliária, e em “La Tienda de Doña Cristi”, documentário mexicano de Vicman Ortigoza sobre uma comerciante de 74 anos que há mais de três décadas mantém uma mercearia em Ecatepec.

Completam a sessão “Barulho”, de Karen Suzane, sobre um viúvo cuja rotina muda com a chegada de dois vizinhos sambistas; “Às Compras”, de Luiz Guilherme Assis, sobre a relação entre mãe e filho a partir de um reencontro; e “Diálogo Bulbul”, filme experimental de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos, que usa imagens e sons de arquivo para tratar da criatividade e da resistência da população negra.

Sobre o Cine Callejero

A temporada Cine Callejero 2026 selecionou 26 curtas-metragens entre 687 obras inscritas de 10 países latino-americanos. As sessões acontecem em diferentes espaços públicos e comunitários do Centro de Vitória, como a Praça do Carmo, o Viaduto Caramuru e a Escadaria da Piedade.

O Cineclube El Caracol foi fundado em 2014 com a proposta de difundir a cinematografia latino-americana no Espírito Santo, por meio de sessões gratuitas em espaços públicos, em diálogo com movimentos sociais, coletivos e comunidades. A temporada busca aproximar o público capixaba de diferentes formas de fazer e pensar cinema na América Latina, com produções que mostram olhares sobre a vida nas cidades, seus territórios, conflitos, memórias e formas de resistência.

O projeto foi contemplado pelo Edital de Difusão Audiovisual – Cineclubes, da Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult), com recursos do Funcultura e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), do Governo Federal.

Os filmes da terceira sessão

“Barulho” (ficção, Brasil/RJ, Karen Suzane, 17 min, 2025) acompanha Humberto, um viúvo solitário preso ao luto, cuja rotina silenciosa é abalada pela chegada de dois vizinhos sambistas.

“Às Compras” (ficção, Brasil, Luiz Guilherme Assis, 14 min, 2026) mostra as lembranças de um dia de compras de uma família formada por mãe e filho, relembradas durante um almoço de reencontro entre Osíris e Denise, após anos de afastamento.

“Trajeto do Desmoronamento” (ficção, Brasil/RN, Helena Antunes, 15 min, 2025) acompanha uma mulher que percorre o trajeto de suas próprias ruínas em meio à destruição provocada pela especulação imobiliária.

“La Tienda de Doña Cristi” (documentário, México, Vicman Ortigoza, 21 min, 2025) retrata a trajetória de Dona Cristi, mulher de 74 anos que há mais de três décadas atende em uma mercearia em Ecatepec, e os desafios que enfrentou para criar seus filhos com deficiência.

“Coisa Triste Eu Esqueço” (documentário, Brasil/RN, Lívia de Castro, 11 min, 2024) recupera a história dos antigos cinemas de rua de Natal por meio das lembranças de moradores e trabalhadores da Cidade Alta.

“Amigo Irmão” (ficção, Brasil/ES, Brenno Maurício, 5 min, 2026) é baseado em poesia autoral e acompanha um dia atravessado por memórias, culpa e afetos, ambientado no Morro do Romão, em Vitória.

“Diálogo Bulbul” (experimental, Brasil, Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos, 7 min, 2025) usa imagens e sons de arquivo para construir um remix sobre memória, criatividade e resistência da população negra.

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