Música, memória e legado: centenário de Hélio Mendes será celebrado com show e exposição

A cidade de Vitória se prepara para uma noite de celebração, memória e reencontro com a história da música popular capixaba. No dia 29 de julho, terça-feira, às 19h, o Grappino Rango Bar, no coração do Centro de Vitória, será palco de um evento especial em homenagem ao centenário do pianista, maestro e arranjador Hélio Mendes — uma das figuras mais importantes da cena musical do Espírito Santo no século XX.

A comemoração dos 100 anos de nascimento do artista será marcada por uma programação gratuita que une show ao vivo, exposição fotográfica e a exibição do livro biográfico “O piano e seu conjunto: vida e obra de Hélio Mendes”, escrito pela jornalista e neta do homenageado, Cínthia Ferreira.

A música ficará a cargo de um trio especialmente formado para a ocasião, com Bastian Herrera no piano, Fábio do Carmo no violão e Rodrigo Souza na bateria. O repertório será composto pelos maiores sucessos gravados pelo “Conjunto Hélio Mendes”, grupo que marcou época nos anos 1960 e 1970 com uma mistura refinada de bossa nova, samba-canção e clássicos da música brasileira.

Música, memória e legado: centenário de Hélio Mendes será celebrado com show e exposição

“É uma honra participar desses trabalhos. A gente entende como um trabalho de resgate, um trabalho de história, com o que, inclusive, didático, porque as pessoas passam a descobrir. Isso é todo o trabalho de resgate”, afirmou Fábio do Carmo.

A formação atual homenageia as raízes instrumentais do conjunto original, que contava com nomes como Maurício de Oliveira, Sônia Ferreira, Marinho Carlos, Cícero Ferreira, Moacir Barros, entre outros músicos que ajudaram a construir a sonoridade sofisticada e popular que levou o grupo aos palcos mais prestigiados do Brasil, incluindo o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

“Hélio Mendes é maravilhoso, porque dentro da linha musical que eu gosto, que eu sigo, ele transita exatamente no que todo mundo gostaria. Além disso, tem vários discos instrumentais gravados, com repertório de primeira linha, uma interpretação incrível, uma banda muito forte e uma referência para um estado inteiro.  Ele foi muito longe, eu não saberia dizer agora um músico nessa linha do jazz brasileiro, um período muito rico do piano brasileiro. Não lembro de outro músico assim, com esse alcance. Se a gente pensar anos 60, sair daqui para gravar discos, ter acesso a esse repertório muito fino, é um legado deixado por Helio Mendes e por Maurício de Oliveira”, afirmou Fábio do Carmo.

Livro e exposição

Além da apresentação musical, o público poderá conhecer ou revisitar a trajetória de Hélio Mendes por meio de uma exposição fotográfica com imagens do acervo da família — muitas delas inéditas — que revelam momentos íntimos e públicos do pianista. São registros de shows, capas de discos, festas populares e retratos familiares, compondo um mosaico afetivo da vida de um artista que, embora tenha falecido em 1991, segue presente na memória cultural do Espírito Santo.

No mesmo espaço, será exibido o livro “O piano e seu conjunto”, publicado em 2019 com apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). A autora, Cínthia Ferreira, mescla o olhar da jornalista e da neta para apresentar uma biografia rica em detalhes sobre a formação do artista, sua relação com Vitória, os bastidores do conjunto e o contexto musical capixaba da metade do século XX.

“É um livro sobre música, mas também sobre pertencimento, memória e afeto. Foi minha forma de me conectar com a história do meu avô e, ao mesmo tempo, contribuir para que o Espírito Santo valorize seus grandes artistas”, afirma a autora.

De Alfredo Chaves para o Brasil

Música, memória e legado: centenário de Hélio Mendes será celebrado com show e exposição

Nascido em 23 de julho de 1925, no município de Alfredo Chaves, Hélio Mendes mudou-se ainda criança para Vitória. Foi na capital que sua trajetória musical se consolidou. Integrou, na juventude, a orquestra do maestro Clóvis Cruz, e em 1958, fundou o famoso Conjunto Hélio Mendes, com o qual se apresentaria por todo o país e gravaria sete LPs e um compacto duplo.

O conjunto destacou-se pelo refinamento técnico e repertório dançante, sendo presença constante em bailes, domingueiras, carnavais e programas de rádio, sempre com arranjos de alto nível. Em 1962, gravou seu primeiro LP pela gravadora carioca Musiplay, com apoio de Fernando Araújo Neves. Um ano depois, o disco “Week-end no Rio” rendeu ao grupo o prestigiado Prêmio Estácio de Sá, entregue no Theatro Municipal do Rio. A mesma premiação homenageou naquela edição artistas como Elis Regina, Os Cariocas, Jorge Ben e Hebe Camargo.

Ao longo da carreira, Hélio Mendes consolidou-se como símbolo da música instrumental capixaba, sendo lembrado até hoje por críticos e antigos admiradores como um dos maiores pianistas do estado.

Hélio Mendes faleceu em 10 de maio de 1991, aos 65 anos. Trinta e três anos depois, o impacto de sua obra ainda reverbera entre músicos, estudiosos da cultura capixaba e familiares. A iniciativa da homenagem partiu da própria família do músico, que vem se dedicando à preservação de sua memória e à divulgação de sua obra para novas gerações.

A escolha do Grappino Rango Bar como local do evento reflete o desejo de tornar o encontro acessível, afetivo e inserido no cotidiano da cidade. Localizado na Rua Gama Rosa, 128, no Centro de Vitória, o espaço vem se consolidando como um polo de encontro entre arte, cultura e gastronomia.

A exposição fotográfica permanecerá no local até 4 de agosto, permitindo que o público tenha mais tempo para visitar e conhecer o legado do pianista.

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