O show “Mãe Solo e Rede de Apoio” terá uma temporada especial de apresentações na região do Caparaó Capixaba. Comandado pela cantora, compositora e realizadora audiovisual Taís Lobo, acompanhada de uma potente banda, o espetáculo apresenta as canções do álbum “Mãe_Solo”, concebido na região. A programação contará com uma residência artística, ensaios abertos e shows gratuitos em Alegre, Guaçuí e Divino de São Lourenço.
A programação começa com uma residência artística entre os dias 16 e 20 de outubro no Armazém Multiverso, centro cultural localizado em Patrimônio da Penha, distrito de Divino de São Lourenço. No dia 21 de outubro, quarta-feira, a banda se apresenta no espaço Canto Caparaó, em Alegre. No dia seguinte, 22 de outubro, é a vez do município de Guaçuí receber o show, no Ponto de Cultura Gota, Pó e Poeira. A temporada se encerra no dia 23, no Armazém Multiverso. Todas apresentações terão início às 20 horas.
Os shows levam ao público o repertório de “Mãe_Solo”, primeiro álbum autoral de Taís Lobo, trabalho que mergulha poeticamente nas experiências das maternidades não-hegemônicas, abordando temas como criação, cuidado, solidão, ancestralidade, filiação e relação com a terra.
Com 10 faixas, o disco entrelaça dimensões espirituais e materiais do maternar e constrói uma narrativa que vai da dimensão espiritual da existência à chegada de uma pessoa ao mundo, passando pelo nascimento, pela criação de uma criança e pela criação artística de uma mãe em contexto solo. Canções como “Lava”, “Quaresmeira” e “Breu” exploram experiências como o primeiro banho de um recém-nascido, o plantio da placenta e a troca de olhares entre mãe e filho.
Musicalmente, o trabalho combina vocalizes, cordas, percussão, samplers, sintetizadores, foleys e efeitos sonoros, reunindo referências que atravessam artistas como Meredith Monk, Fátima Miranda, Itamar Assumpção, Juçara Marçal, Uakti e Ibeyi.
O disco parte de uma experiência íntima e profunda: a maternidade solo em um contexto de isolamento por conta da pandemia de Covid-19. As canções foram surgindo em meio às vivências com o filho e ao cotidiano da maternagem. Marca também uma retomada musical de Taís, que se sentiu inspirada pela gestação, nascimento e crescimento do filho em Patrimônio da Penha. Mas a palavra “solo” tem um duplo sentido, pois também se refere à terra e à conexão com a natureza, bastante exuberante na região do Caparaó.
Os arranjos e as gravações foram realizados por meio de uma residência na própria vila junto a outros artistas, como Aline Maria, Elton Panamby e Fabíola Melca. A Casa da Matinha e a Vila Araponga foram transformados em estúdios para a gravação, em um processo que articulou produção artística, hospedagem, serviços, trocas e economia local.
Posteriormente Cadu Tenório, que assina a produção musical do álbum, somou arranjos eletrônicos e Chicow somou arranjos de sitar, instrumento de cordas de origem indiana. A obra também conta com depoimentos de Aysha Castiel Vitorino, Carolina Cruz, Célia Ribeiro, Eliza Capai e Pêdra Costa, além da participação da poeta Ana Mogli Saura.
A realização da temporada reforça essa relação entre criação artística, território e redes de apoio, aproximando o trabalho de Taís de espaços culturais e comunidades do interior do Espírito Santo.
RESIDÊNCIA ARTÍSTICA
Antes da sequência de shows, Taís Lobo e sua banda estarão reunidas no Armazém Multiverso, em Patrimônio da Penha, para uma residência artística entre os dias 16 e 20 de outubro. “A residência compõem a programação do Armazém, que funciona como uma escola contínua com vários jovens que aprendem e produzem arte e cultura no meio rural”, conta a artistas.
A residência integra o projeto “Mãe Solo e Rede de Apoio” e propõe um período de imersão, criação, experimentação e preparação do repertório que será apresentado na temporada pelo Caparaó.
“A ideia da residência é a gente criar coletivamente junto com os jovens e a partir da orientação e mentoria do Elton, que é um artista multidisciplinar, para criar cenografias e figurinos para os shows a partir de elementos naturais e reciclados. Também teremos participação da Saya, artista argentina que trabalha com projeção e fará testes e experimentos de iluminação para os espetáculos”, explica Taís Lobo.
Durante estes dias ainda serão feitos três ensaios abertos de “Mãe Solo e Rede de Apoio” para experimentar a apresentação e dialogar com os espectadores e participantes da residência. Tanto a residência artística como a temporada de shows contam com apoio da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult-ES) e recursos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura), por meio de seleção no edital de Difusão Musical.
SOBRE A ARTISTA
Taís Lobo é realizadora audiovisual e cantautora. Dirigiu os documentários “As últimas do mundo” (2021), “Encantadas” (2018), “Canta um ponto” (2017), a série”Caminho das Águas” (2023) nos quais também assina montagem e trilha sonora.
A artista coordena e dá consultoria para ações de formação de núcleos de cinema comunitário. Na música, estudou teoria musical na Escola de Música do Espírito Santo (Emes), integrou bandas capixabas, e, profissionalmente, cantou no grupo Tem Mais Samba Trio, em Buenos Aires, na Argentina, e no grupo vocálico Dá No Coro, no Rio de Janeiro (RJ).
Integra a Associação Permacultural Jacutinga do Caparaó, e é uma das colaboradoras do Armazém Multiverso Caparaó, especialmente da programação da sala de cinema do centro cultural.
AGENDA CULTURAL
Show Mãe Solo e sua Rede de Apoio — Taís Lobo e banda
21 de outubro, às 20h
Guaçuí — Ponto de Cultura Gota, Pó e Poeira – Rua Joaquim Martinho de Carvalho, 211
22 de outubro, às 20h
Alegre — Canto Caparaó – Rua Padre Anchieta, s/n, Centro
23 de outubro, às 20h
Divino de São Lourenço — Armazém Multiverso – Patrimônio da Penha










