Grupo Z retorna com “O Grande Circo Ínfimo”, espetáculo há 16 anos em repertório

Uma trupe circense decadente que se dispersou ao se dar conta de que não podia mais competir com as novas formas de entretenimento. Assim como a trupe, estão ‘abandonadas’ a estrada por onde passam e a hospedaria onde se encontram seus integrantes. Esse é o ponto de onde parte a história da peça “O Grande Circo Ínfimo”, do Grupo Z, que já está há 16 anos no repertório do grupo e volta a se encontrar com o público de Vitória anos depois. As apresentações serão gratuitas nos dias 29 e 30 de agosto e 1º de setembro, passando pela Ufes, pela Quadra da Piedade e pelo Parque Moscoso. Já no dia 24 de agosto, o espetáculo ocupa o Sesc Glória.

A peça, que é um dos trabalhos de maior repercussão do Grupo Z, não é apresentada desde 2016, e este momento representa também uma retomada das atividades do grupo no pós-pandemia. “É muito bom poder olhar no olho de cada um em cena e ver que estamos juntos, apesar de todas as dificuldades, sentir a energia de estar em cena compartilhando esses momentos que só duram o tempo do espetáculo, mas que ficam pra sempre em nossas memórias”, diz o ator e integrante do grupo Daniel Boone.

Apesar de inédito na maioria dos locais onde será apresentado – espaços públicos e abertos –, “O Grande Circo Ínfimo” trilhou um caminho de sucesso e importância por várias cidades do país. O espetáculo já participou do Palco Giratório do Sesc; fez parte do programa BR Distribuidora de Cultura; e foi contemplado pelo Prêmio Funarte Myriam Muniz de Teatro. Tantos anos depois de sua criação, a temática da peça também merece destaque por ainda ser tão atual.

“De forma geral, ela é atual quando fala de um sistema – obviamente, referimo-nos ao capital – que impede um monte de gente de uma vida plena, sendo efetivamente quem é; que aposta no constante desmonte do que há – de pessoas, inclusive – em função de uma constante busca por um novo que obsolesce antes mesmo de amadurecer. E de forma específica, é atual quando fala sobre a realidade do setor cultural e do artista. Embora pouquíssima coisa possa ser pior que a combinação golpe-Temer-Bolsonaro-pandemia, a situação está muito longe de ser aquela de que precisamos”, aponta o diretor, dramaturgo e ator Fernando Marques.

O “Grande Circo Ínfimo” dialoga, ainda, com a primeira peça do Grupo Z, “O Maior Espetáculo da Terra”. Lá, um grupo mambembe conta ao público a própria história, na esperança de envolvê-lo e garantir, ao final, que ele seja generoso quando passarem o chapéu. Já no ‘Circo’, a trupe não consegue se manter coesa, com seus integrantes tomando novos rumos.

“Retomamos o Circo quase 10 anos mais velhos, os personagens ganham outras características por conta da nossa experiência pessoal. Mas é como se a estória do Grande Circo Ínfimo se misturasse com a nossa do Z. Nesse período, experimentamos a sensação de obsolescência que os personagens sentem. Porém, como se escutássemos o personagem Arabesque, decidimos retomar nosso Circo, nos reencontramos e decidimos garantir um lugar para nossa trupe no mundo”, ressalta a intérprete e assistente de direção do espetáculo Carla Van den Bergen.

As apresentações na Ufes, na Quadra da Piedade e no Parque Moscoso fazem parte do projeto realizado com recursos do Funcultura – Lei Paulo Gustavo – através da Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória.

Grupo Z

O Grupo Z está há 28 anos em atividade no Espírito Santo, produzindo, pesquisando e compartilhando sua experiência e seu conhecimento através de seus espetáculos e de atividades de formação. Ainda neste ano, o grupo iniciará sua nova montagem teatral, baseada em obra de Brecht.

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