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No Dia Mundial do Rock, veja artistas capixabas indicados por especialistas

Neste Dia Mundial do Rock, comemorado em 13 de julho, o Jornal ES Hoje convidou especialistas do jornalismo cultural e da música capixaba para escolherem artistas e bandas de rock que marcaram a história do gênero no Espírito Santo e também os que estão escrevendo a sua história, a fim de que nossos leitores possam celebrar esse dia no melhor estilo, escutando um bom rock feito em nossas terras.

O jornalista e escritor José Roberto Santos Neves, autor do livro “Rockrise – A História de uma Geração que fez Barulho no Espírito Santo” membro da Academia Espírito-santense de Letras, elencou desde bandas que fizeram parte da gênese do rock capixaba, nos anos 60, até as que surgiram nos meados dos anos 90.

Anderson Bacana é jornalista, músico (é compositor e integrou as bandas Pé do Lixo e Universo Reciclado, nos anos 1990) e apresentador do Programa Santo de Casa na Rádio Rocket 97,7 FM. Ele apresentou os nomes que considera bons representantes capixabas que estão na ativa, levando à frente as diferentes vertentes do gênero.

Um dos maiores produtores musicais do Espírito Santo, Felipe Gama já trabalhou com os principais artistas capixabas e com nomes nacionais como Marcelo D2, Seu Jorge e B-Negão, para citar somente alguns. Sua análise abarcou artistas revelados nos últimos 20 anos em terras capixabas, também envolvendo diferentes subgêneros.

Já este jornalista que vos escreve se atreveu a elencar bandas que marcaram época no rock underground capixaba na primeira década dos anos 2000, compondo um cenário proporcionado pela ascensão de bandas como Dead Fish e Mukeka di Rato que gerou dezenas de bandas saudosas para milhares de pessoas que fizeram parte deste circuito. Além de jornalista, também sou músico e compositor.

Dos primórdios ao rock pesado

No Dia Mundial do Rock, veja artistas capixabas indicados por especialistas
José Roberto Santos Neves

José Roberto Santos Neves é jornalista, escritor e gestor cultural. Autor dos livros “Maysa”, “A MPB de Conversa em Conversa”, “Rockrise – A História de uma Geração que fez Barulho no Espírito Santo” e “Crônicas Musicais e Recortes de Jornal”. Membro da Academia Espírito-santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.

Os Mamíferos: “Primeiro grupo da contracultura do Espírito Santo, Os Mamíferos foi formado por volta de 1968 por Aprígio Lyrio (vocal), Afonso Abreu (baixo), Mário Ruy (guitarra), Marco Antônio Grijó (bateria) e os compositores Arlindo Castro, Rogério Coimbra e Sergio Regis. A sonoridade misturava rock, jazz, blues e boleros com letras poéticas e provocativas, visual ousado e uma base sonora ampla, em sintonia com a Era de Aquarius. Apresentando-se com maquiagem pesada, a banda antecipou o fenômeno glitter que dominaria o rock nos anos 1970. Sua canção de maior sucesso, “Agite antes de usar”, foi premiada com o primeiro lugar e o troféu de Melhor Intérprete Masculino para Aprígio Lyrio, no III Festival Capixaba de Música Popular Brasileira, em 1970. Nos últimos anos suas composições foram regravadas em novas roupagens pelo grupo Aurora Gordon”.

Thor: “Banda seminal do heavy metal capixaba, o Thor obteve destaque junto ao público e à crítica especializada na década de 1980, na esteira do Rock In Rio I, que colocou o Brasil no mapa dos grandes festivais internacionais. Em 1986, lançou um compacto simples com as faixas “Rockrise” e “Thor”, primeiro registro fonográfico de metal no Espírito Santo. À época tinha na sua formação Fábio “Midgard” (vocal), Wilson “Carrasco” (guitarra), Paulo “Guardião” (baixo) e Jeder “Animal” (bateria). A banda atuou intensamente no circuito de shows nos balneários capixabas, apresentou um programa de rádio na Tropical FM e participou da coletânea “ES-Porta Som”, lançada em 1986 pela gravadora Som Livre, em parceria com a Rede Gazeta de Comunicações”

Pó de Anjo: “Representante da new wave dos anos 1980, a Pó de Anjo disputava a preferência da juventude capixaba com o Thor. Fez seu show de estreia em 05 de outubro de 1984, na inauguração da danceteria New Wave, e logo passou a se destacar na cena local com repertório autoral, visual colorido e letras em português. Em 1986 lançou um compacto simples com as canções “Cara Comum” e “Tchurma do Pode Crer”, tendo na sua formação Juca Magalhães (vocal), Marco Muralha (guitarra), Danny Boy (baixo), Mário Gallerani Jr. (teclados) e Luis Bianchi “Dodão” (bateria). No mesmo ano, “Cara Comum” foi incluída na coletânea “ES-Porta Som”. Após vários shows e contratempos, a banda se desfez em 1987”

Lordose pra Leão: “Formado nos corredores do Curso de Comunicação Social da Ufes, o Lordose pra Leão redigiu algumas das mais bem traçadas linhas do rock do Espírito Santo nos anos 1990. A partir da mistura de guitarras e trompetes, estilo anárquico e humor nonsense, formou um público numeroso e emplacou diversos hits nas rádios locais, a exemplo de “Jullyetzsch”, um dos destaques de seu primeiro CD, “Os pássaros não calçam rua” (1996). Nesse mesmo álbum a banda fez uma releitura heavy metal de “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho, e contou com a participação do cantor e compositor paraibano na canção “Ananias e o Cavalo”.

Escute o CD “Os Pássaros não Calçam Rua”, do Lordose Pra Leão, na íntegra
José Roberto indicou “Zero e Um” (2004). Escute na íntegra

Dead Fish: “Fundado em Vitória, em 1991, a partir da banda Stage Dive, o Dead Fish se consagrou como a banda de rock capixaba mais conhecida do país, com prêmios conquistados na MTV, turnês no exterior e discos lançados por gravadoras de distribuição nacional. Seu primeiro CD, “Sirva-se”, saiu em 1997 pela Lona Records. Logo se notou a diferença do Dead Fish para as demais bandas de hardcore, marca que passa principalmente pelas letras do vocalista Rodrigo Lima, um dos poucos neste segmento a falar com propriedade sobre política, desigualdade social, ditadura, alienação e sobre o conformismo da classe média, sem cair no panfletarismo ou no lugar-comum. Entre seus principais álbuns destacam-se “Zero e Um” (2004), “Um Homem Só” (2006) e “Contra Todos” (2009), que rendeu ao Dead Fish a premiação no Video Music Brasil, da MTV, na categoria de Melhor Banda de Hardcore.

Versatilidade na atualidade

No Dia Mundial do Rock, veja artistas capixabas indicados por especialistas
Anderson Bacana

Anderson Bacana é jornalista, músico e apresentador do Programa Santo de Casa na Rádio Rocket 97,7 FM.

André Prando: “Um dos artistas mais promissores da cena musical do Espírito Santo, André Prando é um músico versátil, eclético e um compositor antenado com as questões do mundo contemporâneo. Durante a pandemia, lançou o EP “Calmas Canções do Apocalipse”, onde disserta sobre os conflitos do isolamento social e exorciza alguns fantasmas, talvez”

Escute o CD “Voador” (2018), de André Prando, completo
Escute a faixa “O Vórtice” (2020) de Manfredo

Manfredo: “A calma por trás dos bigodes esconde um talento inverossímil e característico do músico Manfredo. Sua sensibilidade é um dos pontos fortes de sua arte, que ora aborda a tragédia de Mariana, ora se coloca no lugar de quem se desespera em função da falta de empatia do ser humano. Destaque para “O Vórtice”, canção que expressa de forma bem explícita essa reflexão humanística”

Nano Vianna/Cinco Nós: “Calmo, inteligente e antenado, Nano Vianna tem explorado mais sua carreira solo durante a pandemia, uma vez que seu grupo original é o Cinco Nós. Com timbre de voz doce e suave, com apresentações ao vivo sempre marcantes e vigorosas, este russo-capixaba é destaque em vários festivais da canção pelo Brasil. “Calma” um de seus trabalhos mais recentes, pode ser considerado um hino ao isolamento pandêmico”

Assista a faixa “Estranho” da banda Cinco Nós ao vivo
Assista o videoclipe de “Zé do Milho”

Brígida D’La Penha: “Cariacica revelou um de seus melhores grupos de rock através do som único, harmonioso, com letras sarcásticas, divertidas e reflexivas da banda Brígida D’La Penha. Há mais de 20 anos na estrada, o grupo tem no álbum “Valerius” seu ponto alto, com homenagens póstumas e um ritmo que não deixa ninguém parado, com aquele bom e velho molho rock’n roll”

Cenário Underground dos Anos 2000

No Dia Mundial do Rock, veja artistas capixabas indicados por especialistas
Gustavo Gouvêa

Gustavo Gouvêa é jornalista, compositor e músico.

Audio: Apesar da breve história da banda, na primeira parte dos anos 2000, o Audio deixou um CD que marcou a época e os corações de muitos da cena underground capixaba. Criara-se expectativa sobre “a banda do Giuliano (de Landa)”, ex-guitarrista do Dead Fish, e ele acabou unindo um time de peso que produziu “Sonar” (2003), um disco no qual sobressaem-se justamente as “guitarradas” de Giuliano, e que influenciou várias bandas da cena capixaba na época. Destaque para as faixas “Inércia”, “Momentum” e a faixa título do álbum.

Escute na íntegra o álbum “Sonar” (2003) do Audio
Ouça o álbum “Bem-vindo Inverno” (2003) do Take Me

Take Me: Take Me é uma banda originalmente formada pelos músicos Jean Diaz (ex-Supercombo), Jorge Fernandes e Marcelo Buteri, que tocou bateria e guitarra em várias bandas de rock/hardcore que marcaram época do Espírito Santo, como Dead Fish, Undertow e Os Pedredo. Trata-se de uma das bandas mais consistentes do rock alternativo capixaba, com dois discos lançados. “Bem vindo, Inverno” é o debut e, apesar do seu sucessor “A divisão do espaço”, ser um disco mais maduro no que diz respeito à produção, o primeiro álbum fundamenta o estilo da banda e conta com pedradas como “Astro”, “Legado” e “Submerso”.

EP autointitulado do Antemic (2004)

Antemic: Formada no ano de 2002, o Antemic uniu um time pesado de músicos da cena punk/hardcore capixaba: o guitarrista Alexandre Barcelos (com passagem pelo Dead Fish), o baterista João Paulo Pimenta, o baixista Arthur Navarro e o guitarrista/vocalista Stéphano Belisário (Fast Halleys). O resultado não poderia ser diferente: um debut EP autointitulado de respeito, lançando pela Highlight Sounds, em 2004, principal gravadora brasileira do cenário à época. As influências passeiam por nomes como Samiam, The Ataris, No Motiv e Jimmy Eat World. Posteriormente, mais madura, com novas influências e a presença de novos integrantes (o vocalista Jean Diaz e o guitarrista José Garajau), a banda lançou o excelente EP Refração, que vale muito à pena ser escutado.

Volume 7: Volume 7 é a banda que revelou Léo Ramos, líder da aclamada Supercombo, para a cena musical capixaba e brasileira. A banda tem um EP “Condição de Existência” (2002) e o CD “Espinha Dorsal” (2006) lançado e faz parte de uma segunda safra de bandas do cenário punk/hardcore/alternativo capixaba, junto a Audio, Take Me, Antemic e [Mono]. Espinha Dorsal representa o auge da musicalidade da banda, com guitarras recheadas de riffs, bateria consistente e vocal enérgico. Destaque para as faixas “Enfim, Desatar…”, “Indiferença”, “Inferno Branco”, “Perto de Um Final” e a faixa título do álbum.

Escute na íntegra o CD “Espinha Dorsal” (2006) do Volume 7

Auria: Enquanto as principais bandas da cena underground daquela época já estavam começando a inserir elementos mais “pop” nas músicas, chega o Auria com o CD “Entrelugar”, um retorno ao bom e velho hardcore melódico, com a bateria forte e sem frescuras de Rodolfo Sily, as guitarras pesadas e rifadas de Vitor Zorzal e Felipe “Pom Pom”, o baixo marcante de Bernardo John e o vocal peculiar de Rafael Braz. O legado da banda foi o excelente CD Entrelugar, lançado em 2007, com destaque para as músicas “Doutrina”, “Entrelugar”, “Catarse Coletiva” e “Recompensa”.

Ouça o CD “Entrelugar” (2007) do Auria, na íntegra

Olhar do produtor

No Dia Mundial do Rock, veja artistas capixabas indicados por especialistas
Felipe Gama

Felipe Gama é produtor musical e engenheiro de som. Já trabalhou com artistas nacionais como Marcelo D2, Seu Jorge, B-Negão, Pentágono, Mr. Catra e com os principais artistas do Espírito Santo.

Pé do Lixo: O Pé do Lixo tinha um diferencial notório, pois misturava rock com elementos de percussão, como tambores de lixeira, galões e instrumentos de material reciclado, o que gerava uma sonoridade única e que marcou os rock capixaba dos anos 90. A banda tem como destaque o CD “Reciclo”, que conta com o maior clássico da banda, a música “Terra Prometida”.

Ouça a clássica “Terra Prometida”, do álbum Reciclo, da banda Pé do Lixo

Medley: Medley é a banda precursora do New Metal no Espírito Santo, com influências notórias de bandas como Sepultura, Korn, Rage Against the Machine e outras dessa vertente. A banca contava com o músico Jota III no vocal e, apesar do som pesado, misturava alguns elementos da música brasileira, como o baião. O CD Antisocial, de 1997, com 12 músicas em inglês, foi o principal legado da banda.

Ouça o álbum Antisocial (1997) da banda Medley
Ouça o hit “Nada Sei” (2003) da banda Nave S/A

NAVE S/A: A Nave S/A aliava peso com melodias muito marcantes, sobretudo nos refrãos, o que lhes rendeu o número um durante um bom tempo na Rádio Cidade. A banda apareceu no cenário musical capixaba com o CD Vinil, de 2003. O vocal marcante e as letras de Gustavo Vervloet somadas à dupla de guitarristas Perez Lisboa e Fábio Lyrio deram o tom desse álbum. Com influências do rock alternativo californiano, de bandas como Incubus, o disco passeia entre momentos de peso e calmaria, com melodias marcantes. Destaque para as músicas “Tanto Faz” e “Nada Sei”.

“Novo Eu” é o primeiro videoclipe da banda Sob o Mesmo Sol

Sob o Mesmo Sol: Um som pesado e ao mesmo tempo com a cara brazuca. Tem influências do cenário post-punk recente, de bandas como Taking Back Sunday, Coheed and Cambria, Story of The Year. Som bem tocado, com guitarras pesadas e rifadas e um vocal excelente. Destaque para o single “Novo Eu”, que também conta com um videoclipe.

Felipe Bertrand: Felipe Bertrand é um cantor e compositor interessante, pois tem grande influência das baladas do rock nos anos 80 e 90, com um toque mais moderno, que é dado pelas guitarras e bateria. Vale à pena conferir o seu primeiro trabalho autoral, o single “Tudo Vai Dar Certo”, que conta também com lyric vídeo.

Single “Tudo Vai Dar Certo”, de Felipe Bertrand

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