O novo mapa imobiliário capixaba: como os condomínios horizontais redesenham a expansão urbana no ES

Um novo vetor de investimento vem redistribuindo capital dentro do setor imobiliário capixaba. Historicamente concentrados na verticalização das orlas de Vitória e Vila Velha, os grandes lançamentos passam a dividir espaço — e orçamento de incorporadoras — com os condomínios horizontais fechados e os bairros planejados, movimento impulsionado por obras de mobilidade recém-entregues ou em andamento e pela escassez de grandes glebas nas áreas centrais.

Para o mercado corporativo do setor — incorporadoras, loteadoras e investidores institucionais —, o dado relevante não é apenas de demanda, mas de alocação de capital: o segmento deixou de operar como nicho de segunda residência e passa a disputar fatia relevante do Valor Geral de Vendas (VGV) do estado, atraindo recursos que antes se direcionavam quase exclusivamente à verticalização litorânea.

Três eixos de expansão no radar de investidores

A apuração identificou três frentes regionais em que infraestrutura pública e dinâmica econômica local convergem para viabilizar novos empreendimentos horizontais:

  • Grande Vitória (Serra e Vila Velha): o Contorno do Mestre Álvaro e os novos acessos da Região 5, em Vila Velha, destravaram eixos de expansão urbana antes represados pela malha viária, consolidando os dois municípios como polos de loteamentos fechados de médio e alto padrão.
  • Região Serrana (Domingos Martins e Marechal Floriano): a consolidação do trabalho híbrido e remoto ampliou o raio de busca de famílias que mantêm vínculo profissional com a capital, mas passam a considerar municípios de montanha para moradia fixa — não apenas para lazer.
  • Norte do Estado (Linhares e Aracruz): a base industrial e logística das duas cidades sustenta demanda por empreendimentos horizontais voltados a executivos e novos residentes atraídos pela atividade portuária e fabril da região.

O que muda no comportamento de compra

O novo mapa imobiliário capixaba: como os condomínios horizontais redesenham a expansão urbana no ES
Fábio Junger – sócio-fundador da Emec Incorporações (Crédito Divulgação)

Segundo incorporadoras ouvidas pela reportagem, o comprador capixaba passou a precificar, além do metro quadrado, a infraestrutura do entorno, a eficiência energética dos projetos e a oferta de conveniências internas — coworking, minimercado e áreas de lazer completas.

“Não se trata apenas de parcelamento de solo ou metragem, mas de entregar um ecossistema urbano funcional. O comprador capixaba hoje quer a conveniência da Grande Vitória, mas exige o conforto de uma casa integrada à natureza e com segurança reforçada. O condomínio horizontal deixou de ser um produto de fim de semana e virou o projeto principal de vida das famílias.” — Fabio Junger, sócio-fundador da Emec Incorporações

 

Selic, VGV e o teste de resiliência do segmento

Com a Selic em patamar que exige seletividade de investidores — o Copom ainda não sinalizou cronograma de afrouxamento —, o segmento horizontal é apontado por incorporadoras como o de maior resiliência relativa dentro da construção civil urbana no estado.

Vale o registro: até o fechamento desta reportagem, entidades como Sinduscon-ES e CBIC não haviam divulgado série histórica ou percentual consolidado de valorização do metro quadrado específico para condomínios horizontais no Espírito Santo. A leitura de resiliência citada pelo mercado tem, portanto, caráter qualitativo — baseada na percepção de players do setor —, e não em índice oficial verificado por esta reportagem.

Ainda assim, a projeção do setor é de que o modelo continue ganhando participação no VGV de lançamentos do estado nos próximos anos, sustentado pela combinação entre déficit de grandes terrenos na capital e expansão da infraestrutura viária nos municípios do entorno.

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