O Sistema de Consórcios brasileiro fechou julho com 13,41 milhões de participantes ativos, alta de 11,4% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o total era de 12,04 milhões, segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O resultado é o 54º recorde mensal consecutivo do setor desde janeiro de 2022 — com exceção de abril de 2023 — e reforça a modalidade como alternativa de crédito cada vez mais relevante para pessoas físicas e jurídicas, incluindo empresas capixabas que buscam renovar frotas, adquirir imóveis corporativos ou financiar equipamentos sem recorrer a juros bancários.
De janeiro a julho, o volume de negócios do setor somou R$ 331,60 bilhões, 22,9% acima dos R$ 269,92 bilhões registrados no mesmo período de 2025. As vendas de cotas cresceram 14,9%, atingindo 3,31 milhões de adesões, enquanto as contemplações — momento em que o crédito pode ser convertido em bens ou serviços — chegaram a 1,03 milhão, com R$ 74,38 bilhões liberados ao mercado interno, avanço de 9,6% na comparação anual.
Para o público empresarial, o dado mais relevante pode estar na composição setorial. O consórcio de imóveis ultrapassou o de motocicletas e assumiu a segunda posição entre os segmentos com mais participantes ativos, com 3,32 milhões de consorciados — crescimento de 35,5% em doze meses. O volume negociado no setor somou R$ 195,11 bilhões, alta de 33,1%, movimento que aponta para uma busca crescente por planejamento patrimonial de médio e longo prazo, inclusive entre empresas e investidores.
Já o consórcio de veículos pesados — que reúne caminhões, máquinas agrícolas, ônibus e implementos rodoviários — soma 933,32 mil participantes ativos e movimentou R$ 27,03 bilhões nos sete meses, com tíquete médio de R$ 245,80 mil. O segmento é estratégico para setores que dependem de renovação constante de frota, como transporte, logística e agronegócio, áreas de peso na economia do Espírito Santo. Segundo a ABAC, as contemplações do consórcio já correspondem a cerca de um caminhão a cada três comercializados no país.
Dados do Banco Central citados pela associação mostram que o consórcio respondeu por 24,4% do total de créditos concedidos ao setor automotivo — somando financiamento, leasing e consórcio — entre janeiro e junho. É uma fatia que sinaliza a consolidação da modalidade frente às linhas de crédito tradicionais, em um cenário de juros elevados que penaliza o financiamento convencional e pressiona o custo de capital das empresas.
“Os meses recentes mantiveram o mesmo ritmo do primeiro semestre. Mesmo com oscilações da inflação e desaceleração da economia, o brasileiro tem buscado equilibrar as finanças pessoais, apesar do alto endividamento das famílias. Em contrapartida, cresce a consciência sobre educação financeira, o que projeta otimismo para os consórcios”, afirma Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC.
Outro indicador que interessa a gestores financeiros é o comportamento do tíquete médio, que recuou 4,2% em julho, para R$ 107,82 mil, refletindo a adesão a créditos de menor valor e um comportamento mais conservador na hora de assumir compromissos compatíveis com o orçamento. Na comparação de cinco anos, porém, o tíquete médio de julho acumula alta nominal de 68,8%, com ganho real de 42,3% acima da inflação medida pelo IPCA.
Ao fim de 2024, os ativos administrados pelo Sistema de Consórcios somavam R$ 719 bilhões, equivalentes a 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro — 0,8 ponto percentual acima da participação registrada em 2023, segundo dados do Banco Central compilados pela ABAC.










