Atuação feminina avança nos portos capixabas

Quando o capixaba olha para o horizonte e vê a fila de navios esperando a vez para acessar os complexos portuários da região metropolitana, não imagina a complexidade que uma operação portuária envolve. E muito menos que boa parte desse trabalho é hoje desempenhado por mulheres. No mês das Mulheres – o dia, 8 de março, foi celebrado no último domingo -, conheça o trabalho de Adriana, Salma e Carol, funcionárias da concessionária dos portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho! No setor portuário em geral, a atuação feminina avança nos bastidores técnicos e estratégicos.

O acesso de navio a um porto é uma operação que exige planejamento minucioso e organização. “Há uma série de regras a cumprir relacionadas à segurança da navegação e à operação portuária, além de uma ordem a ser seguida, de acordo com uma programação prévia”, explicou a coordenadora de Planejamento e Operações da Vports, Salma Paiva. Há 18 anos na área, ela acumula histórias e experiências e diz que, ao longo dos anos, muita coisa mudou.

“Era um setor predominantemente masculino. Eu tinha 20 anos e estava começando minha carreira. Não foi simples conquistar espaço, respeito e reconhecimento. Hoje, felizmente, a realidade é diferente. O setor evoluiu, e tornou-se mais diverso”, garante ela que, em três anos de concessão à iniciativa privada, já foi promovida de supervisora à coordenadora, respondendo por uma equipe de 25 pessoas”, contou.

Atuação feminina avança nos portos capixabasCabem à Salma e sua equipe programar e preparar o porto para a chegada dos navios, fazendo a interface com os agentes marítimos, donos de carga, armadores, operadores portuários e demais players que atuam nos complexos de Vitória e Capuaba. Ela conta algumas curiosidades relacionadas ao dia a dia da profissão, como o tamanho dos navios que podem acessar o porto; após estudos técnicos conduzidos pela Vports, o porto passou a receber navios de até 83 mil toneladas de peso bruto; a restrição de altura das embarcações em 51,80 metros (calado aéreo máximo), por conta de um fio da rede elétrica que liga o bairro Jesus de Nazaré, em Vitória, a Vila Velha, abastecendo a cidade. Além disso, por questões de segurança e características do canal de acesso, apenas um navio por vez pode realizar as manobras de entrada ou saída do porto.

Carolina Natali Halász é oficial de náutica – o nome correto para a profissão que, popularmente é chamada de piloto de navio – desde 2005 e, hoje, atua como supervisora de Serviço de Tráfego de Embarcações no VTMIS, o centro de controle e monitoramento da Vports, coordenando o fluxo de navios, que funciona como uma “torre de controle” de aeroporto, só que no mar. Formada pela Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante, ela conta que os desafios começaram no curso, já que, dos 105 alunos, apenas 30 eram mulheres.

“Eu tinha 19 anos e era tudo muito novo, diferente, vivíamos em um regime militar de semi-internato. Foi preciso disciplina e resiliência. Muitos colegas desistiram, mas segui em frente”, diz.

Atuação feminina avança nos portos capixabasAntes de ser supervisora de tráfego, ela pilotou navios de 200 metros de comprimento e percorreu diversos portos do Brasil e do mundo. Esteve em Lisboa, Hamburgo, Antuérpia, na Europa; em Montevidéu, no Uruguai; e em Bahía Blanca, na Argentina, para citar alguns exemplos. No Brasil, subiu pelo Rio Amazonas até Manaus, atracou em portos como Fortaleza, Suape, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, São Francisco do Sul e Vitória.

Hoje Carolina atua ajudando a organizar o tráfego de embarcações que chegam a Vitória. “Meu trabalho é similar ao dos controladores de voo, só que relacionado a navios. Auxiliamos comandantes na sua tomada de decisão a bordo, transmitindo informações sobre o tráfego, emitindo avisos aos navegantes, informando condições meteorológicas, entre outros”, relata.

Seu marido também é oficial de náutica, ainda atuando como piloto de navios. Os dois têm uma filha de 8 anos, que, não por acaso, se chama Marina.

Na linha de frente

Há oito anos trabalhando na área portuária, Adriana Menezes Pessotti, diretora Jurídica e Regulatória da concessionária, hoje comanda um time de outras sete mulheres.
Ela foi protagonista de um dos capítulos mais importantes da história portuária brasileira: a inédita e única concessão dos portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho à iniciativa privada. Hoje diretora da empresa, ela ingressou na companhia ainda na época da Codesa, passou pelas funções de assessora, coordenadora e gerente, e acompanhou de perto todo o processo de desestatização, do leilão à assinatura do contrato de concessão.

“Sou apaixonada pelo que faço. Estar no jurídico da primeira autoridade portuária privada do Brasil é um privilégio”, afirma.

Atuação feminina avança nos portos capixabas

Adriana destaca que participou ativamente da construção de um novo modelo de gestão para o setor. “Me sinto parte da consolidação desse marco regulatório. A concessão trouxe inúmeras obrigações, conformidades normativas e processos que precisaram ser definidos junto a órgãos reguladores, como a ANTAQ, e ao Ministério de Portos e Aeroportos. Tivemos que compreender, na prática, o que significa ser uma empresa privada regulada, que presta serviço público”.

Antes de trilhar a carreira no Direito, Adriana teve uma trajetória de destaque no esporte. Foi nadadora profissional, integrou a seleção brasileira feminina de natação, disputou campeonatos internacionais, foi finalista da Copa do Mundo de Natação e defendeu clubes como Minas e Flamengo. A disciplina das piscinas, segundo ela, foi fundamental para enfrentar os desafios do ambiente corporativo. “A natação me ensinou foco, resiliência e disciplina. São qualidades essenciais para qualquer profissional, mas especialmente importantes para mulheres em cargos de liderança e em setores tradicionalmente masculinos.”

Iniciativa da Vports, o projeto trabalha temas relacionados à liderança feminina e ao desenvolvimento das mulheres no ambiente corporativo. “Cada encontro é desenhado com foco no fortalecimento, na superação dos desafios e aceleração de carreira do público feminino, um movimento importante para valorizar as mulheres do porto e dar a elas condições e subsídios para crescerem em suas áreas de atuação”, afirma a gerente de Gente e Comunicação da Vports, Larissa de Aquino Fleischmann.

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