Novo modelo de crédito aumenta intenção de financiar imóvel

Seis em cada dez pessoas interessadas em comprar um imóvel afirmam que a intenção de recorrer ao financiamento imobiliário aumentou com o novo modelo de crédito habitacional. É o que aponta a pesquisa Moradia do Amanhã, realizada pelo DataZAP, braço de dados e inteligência do Grupo OLX, com 673 usuários dos portais OLX, ZAP e Viva Real.

De acordo com o levantamento, 60% dos entrevistados disseram estar mais propensos a financiar um imóvel. Para 34%, a intenção permaneceu igual, enquanto 7% afirmaram que a disposição diminuiu.

A mudança no modelo de crédito imobiliário altera a forma como os bancos direcionam recursos para o financiamento habitacional. A proposta é reduzir a dependência dos depósitos da poupança como fonte exclusiva de recursos e ampliar as alternativas de captação para o setor.

A implementação será gradual, com conclusão prevista para janeiro de 2027. A expectativa é aumentar as possibilidades de financiamento e a disponibilidade de recursos, mas o acesso ao crédito continuará condicionado a fatores como taxas de juros, renda e análise de crédito.

Para Ricardo Gava, diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (ADEMI-ES), a diversificação das fontes de recursos pode contribuir para ampliar a oferta de crédito.

“Ter alternativas de captação é importante para ampliar a oferta de crédito imobiliário. No entanto, para que esse movimento chegue efetivamente ao consumidor, também precisamos de condições de financiamento compatíveis com a renda das famílias e com a capacidade de pagamento de cada comprador”, avalia.

Juros e regras de crédito preocupam compradores

Apesar do aumento da intenção de financiamento, o custo do crédito segue entre os principais fatores que influenciam a decisão de compra. Na pesquisa, 68% dos participantes apontaram as taxas de juros como um fator de influência, enquanto 66% mencionaram as regras de concessão de crédito e 64% citaram a taxa básica de juros (Selic).

O financiamento imobiliário foi mencionado por metade dos entrevistados como uma das principais formas de aquisição da casa própria. Entre as outras alternativas estão programas habitacionais, pagamento à vista, consórcio, permuta e parcelamento diretamente com a incorporadora.

Na avaliação de Rodrigo Laranja, da Portocale, a intenção de compra precisa estar acompanhada de condições financeiras que permitam ao consumidor assumir um compromisso de longo prazo.

“O aumento da intenção de financiar demonstra que as pessoas continuam buscando alternativas para realizar o sonho da casa própria. Mas a decisão depende de condições que permitam assumir um compromisso de longo prazo com segurança. A disponibilidade de crédito precisa caminhar junto com a capacidade de pagamento das famílias e com um ambiente favorável para o mercado imobiliário”, afirma.

Jovens demonstram maior intenção de financiar

O levantamento também identificou diferenças entre as faixas etárias. Entre os entrevistados das gerações Z, de 18 a 30 anos, e Y, de 31 a 42 anos, 65% afirmaram que a intenção de recorrer ao financiamento aumentou.

Entre os participantes das gerações X, de 43 a 62 anos, e Baby Boomers, com 63 anos ou mais, o percentual foi de 55%.

Os resultados indicam que o financiamento permanece como uma das alternativas para viabilizar a aquisição de imóveis. A efetivação desse interesse, porém, dependerá das condições oferecidas pelas instituições financeiras e da capacidade de pagamento dos compradores.

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