O cooperativismo capixaba encerrou 2025 movimentando R$ 20,8 bilhões e entrou em uma nova fase de expansão. O desempenho coloca o Espírito Santo entre os mercados mais dinâmicos do cooperativismo brasileiro e sustenta uma projeção de crescimento para os próximos anos.
Os dados fazem parte do Anuário do Cooperativismo Capixaba 2026, lançado nesta quinta-feira (24) pelo Sistema OCB/ES. A publicação mostra que o Estado terminou 2025 com 112 cooperativas e 1.081.334 cooperados, ultrapassando pela primeira vez a marca de 1 milhão de associados.
O avanço não ficou restrito ao número de associados. O patrimônio líquido das cooperativas chegou a R$ 9,3 bilhões, alta de 23% em relação ao ano anterior. Os ativos totais alcançaram R$ 84,3 bilhões, crescimento de 62%.
Também houve aumento na geração de resultados. As sobras colocadas à disposição das Assembleias Gerais Ordinárias somaram R$ 627,7 milhões, alta de 25,5%. O pagamento de impostos e taxas chegou a R$ 839,8 milhões, crescimento de 13,5%.

Para o analista de Estudos Econômicos do Sistema OCB Nacional, Arthur Nery, os números refletem um movimento de crescimento distribuído entre diferentes ramos do cooperativismo. “2025 foi um ano excelente, de quase R$ 4 bilhões de crescimento em faturamento”, afirmou durante a apresentação do cenário econômico.
O crédito aparece como um dos principais motores desse avanço. Segundo Nery, o ramo teve crescimento próximo de R$ 3 bilhões no faturamento em 2025. Agropecuário e saúde também aparecem entre os segmentos de maior representatividade.
A distribuição dos cooperados reforça o peso do crédito. No Estado, as cooperativas financeiras concentram a maior parte dos associados. O Anuário 2026 mostra que o setor alcançou 969.806 cooperados em 2025, quase 90% do total estadual.
O crescimento também aparece no mercado de trabalho. O cooperativismo capixaba fechou 2025 com 14.146 colaboradores, considerando empregados, aprendizes, estagiários e terceirizados, contra 12.094 no ano anterior. A alta foi de 17%.
Na avaliação de Nery, a força do cooperativismo capixaba também aparece quando os números do Estado são comparados com os demais integrantes da região Sudeste.
Segundo a apresentação do analista, o Espírito Santo alcançou R$ 20,8 bilhões em faturamento em 2025 e apresentou crescimento composto de 21,1% entre 2019 e 2025. Para os próximos anos, a projeção apresentada aponta potencial de crescimento anual de aproximadamente 10%.
O desempenho estadual ocorre em um momento de crescimento mais moderado da economia brasileira. Nery destacou que o ambiente nacional combina juros elevados, famílias endividadas, pressão sobre custos e incertezas provocadas pelo cenário internacional.
Entre os fatores externos citados pelo analista estão o preço do petróleo, os juros dos Estados Unidos e as tarifas comerciais. Para o Espírito Santo, a política tarifária norte-americana tem relevância adicional porque uma parcela significativa das exportações estaduais tem os Estados Unidos como destino.
Nery afirmou que cerca de 27% a 28% dos produtos exportados pelo Espírito Santo têm os Estados Unidos como destino. Na distribuição apresentada, 33% dos produtos exportados pelo Estado estariam isentos de tarifas, enquanto outros grupos estão submetidos a diferentes alíquotas.
Mesmo diante desse cenário, os indicadores do cooperativismo capixaba mostram expansão. O Anuário revela que quase 2,5 milhões de capixabas estão direta ou indiretamente conectados ao modelo cooperativista, equivalente a cerca de 60% da população do Estado.
A dimensão econômica também aparece na arrecadação. Os R$ 839,8 milhões pagos em impostos e taxas pelas cooperativas em 2025 representam uma alta de 13,5% em relação ao ano anterior.
Para Nery, o crescimento do cooperativismo no Espírito Santo não está concentrado em apenas um indicador. Crédito, agropecuária, saúde e transporte aparecem entre os ramos mais relevantes quando são considerados faturamento, cooperados e empregados.
No cenário nacional, o analista apresentou ainda uma projeção de expansão do cooperativismo brasileiro. Os ingressos nacionais chegaram a R$ 848 bilhões em 2025 e a estimativa apresentada pelo Sistema OCB aponta para a possibilidade de alcançar R$ 1 trilhão em 2027.
O Espírito Santo, com R$ 20,8 bilhões em 2025, representa uma parcela desse mercado e aparece na análise como um dos estados com trajetória de crescimento mais acelerada no período analisado.










