O ex-presidente e fundador da Apex Partners, Fernando Cinelli, se manifestou publicamente sobre a crise que atingiu a empresa e afirmou ter sido alvo de uma “narrativa muito forte” contra ele. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele defendeu que as questões envolvendo a companhia sejam apuradas de maneira “clara, técnica e independente”.
Cinelli afirmou que vem buscando tratar as acusações nos campos considerados adequados e com apresentação de documentos e provas.
“Eu tenho muito interesse que tudo seja investigado de forma clara, técnica e independente, que todos os documentos sejam preservados, para dar luz para tudo aquilo que tem sido discutido durante esse período”, afirmou.
O empresário também disse que pretende fazer uma série de vídeos para falar sobre a situação da empresa. Segundo ele, a intenção é esclarecer os acontecimentos e apresentar sua versão sobre a crise.
“Eu quero trazer isso à tona: ao invés de a gente focar essa discussão em narrativa, que se possa ter cada vez mais o olho na bola”, declarou.
“Apex não é de uma pessoa só”
Durante o vídeo, Cinelli também destacou a trajetória da empresa desde sua fundação, em 2013. Segundo ele, a Apex foi construída com a participação de acionistas, colaboradores, gestores, assessores e conselheiros.
“É uma empresa que foi construída por muitas pessoas, por acionistas, por colaboradores, por gestores, por assessores, por conselheiros. Foi muita gente que participou dessa construção de uma empresa que virou referência e que não é de uma pessoa só”, afirmou.
O ex-presidente defendeu que a discussão sobre a crise não fique concentrada em acusações ou narrativas, mas avance para a busca de soluções para a companhia.
Ele citou como prioridade os interesses de investidores, clientes, credores e parceiros da Apex.
“Que a discussão vá para o campo que realmente precisa ir, que é o campo de como a gente endereça soluções”, disse.
Afastamento e crise na Apex
Cinelli foi afastado da presidência da Apex em agosto, depois que lideranças da empresa apontaram inconsistências financeiras e anunciaram a contratação de uma auditoria externa para aprofundar as apurações. Na ocasião, a empresa também afastou o então diretor financeiro Eduardo Siqueira.
Posteriormente, a Justiça determinou o afastamento de Cinelli da gestão das empresas que compõem o grupo Apex Partners. A decisão alcançou também Siqueira e estabeleceu a gestão interina das companhias.
No início de setembro, a Apex pediu à Justiça a ampliação do bloqueio de bens de Cinelli para R$ 23,25 milhões. Segundo a empresa, uma nova análise identificou 298 lançamentos financeiros atribuídos ao ex-presidente que, de acordo com a companhia, não teriam contrato, justificativa contábil ou aprovação interna. Cinelli nega desvio ou apropriação de recursos e sustenta que as movimentações tinham justificativa econômica.
A crise da empresa envolve ainda uma dívida estimada em aproximadamente R$ 985,6 milhões, segundo documentos apresentados no processo judicial. Cinelli já havia recorrido à Justiça para obter documentos que, segundo sua defesa, poderiam demonstrar que decisões relacionadas às operações da Apex não eram tomadas exclusivamente por ele.
No vídeo, o empresário não entra em detalhes sobre as operações financeiras que estão no centro das disputas judiciais. Ele encerra afirmando que continuará à disposição para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações.
“Vou estar aqui à disposição para poder cada vez mais elucidar, colaborar como alguém que ainda tem bastante interesse na história do presente e do futuro da Apex”, afirmou.
Observação editorial: eu evitaria colocar no título que Cinelli “nega as acusações”, porque no vídeo ele não faz uma negativa detalhada das acusações financeiras. O que ele faz é questionar a narrativa construída sobre sua atuação, pedir investigação independente e defender a análise dos documentos. Isso deixa a matéria mais precisa juridicamente e jornalisticamente.










