Comércio perde 2.000 vagas formais em julho; no ano já são menos 7.800 vagas, segundo Caged

O comércio brasileiro registrou um saldo negativo de menos 2.056 vagas no mês de julho, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O setor foi o único dos cinco principais da economia a seguir uma tendência negativa neste ano, puxada pela queda no número de empregos no varejo, que reduziu 51,7 mil postos de trabalho formais de janeiro a julho deste ano.

Pela quarta vez seguida, a geração de empregos teve o pior resultado para um mês desde 2020, ano do início da pandemia. O Brasil gerou apenas 58,8 mil vagas formais em julho.

O país teve 2,26 milhões de contratações e 2,20 milhões de demissões. O resultado está abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo foi de 133 mil. Em relação a julho de 2025, houve uma queda de 56% no saldo de empregos formais.

Em abril, maio, junho e julho, a economia brasileira registrou os piores resultados para cada mês desde 2020, em resultado que aponta para desaceleração do mercado de trabalho. O saldo também ficou bem abaixo da projeção do mercado -a mediana da Bloomberg era de 114 mil novas vagas para julho.

No acumulado de janeiro até agora, 972 mil empregos formais foram criados. Já no acumulado dos últimos doze meses, foram mais 880 mil vagas, um aumento de 1,87% no período.

O setor com maior número absoluto de novas vagas foi o de serviços, com mais 24 mil postos formais, seguido pelo setor de construção, com mais 12,6 mil, e agropecuária, com 12,5 mil. A alta no agro, que vinha apresentado o pior resultado do ano até agora, foi devido ao cultivo de laranja e ao serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita.

Comércio foi o único dos grandes setores que registrou saldo negativo, com menos 2.056 postos formais de trabalho em julho.

Cinco unidades da federação registraram resultados negativos: Espírito Santo, Tocantins, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Santa Catarina. O pior resultado foi no Espírito Santo, com uma variação de menos 0,28%.

As maiores altas foram no Amazonas, onde houve aumento de 0,63% no saldo de empregos formais, seguido por Mato Grosso (0,59%) e Piauí (0,52%).

No acumulado de janeiro a julho, o setor de serviços registrou o maior crescimento de emprego formal, com mais 591 mil postos de trabalho.

Já por estado, no acumulado de 2026, a maior variação foi para o Amapá, com aumento de 4,79%, e Mato Grosso, com alta de 3,96%. O único estado com resultado negativo foi em Alagoas, com menos 1,54%.

Francisco Macena, ministro do Trabalho substituto a Luiz Marinho, afirmou que a alta da taxa de juros tem interferido na contratação do mercado, além de transformações no comércio e no varejo devido ao e-commerce.

“Acompanhei a conciliação da Casas Bahia e a empresa manteve na sua maioria os postos de trabalho nas lojas fisicas”, afirmou. “A taxa de juros tem afetado efetivamente os postos de trabalho no Congresso. Isso inibe o impacto nos investimentos feitos na ampliação de postos em lojas e ampliação das atividades eocnomicas. Há uma stiuação no comércio varejista de mudança na atividade.”

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na Justiça de São Paulo e declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – LUANY GALDEANO

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