As duas últimas rodadas de tarifas americanas contra o Brasil devem atingir simultaneamente 3.985 produtos, ou US$ 10,8 bilhões (R$ 55 bilhões) em mercadorias brasileiras aos EUA, calcula a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Sujeitas às duas taxas anunciadas nas últimas semanas -de 25% e 12,5%, pela ordem cronológica- esses bens pagarão alíquota de 37,5% ao entrar nos Estados Unidos.
Nesta quinta-feira (24), a Casa Branca anunciou que implementaria contra o Brasil e outras 59 economias uma alíquota de importação que varia de 10% a 12,5%. O pretexto é a suposta incapacidade desses países de coibir a importação de produtos produzidos com trabalho forçado, resultando em concorrência desleal contra empresas americanas.
A medida é amplamente vista, no entanto, como uma forma encontrada pelos EUA de substituir a tarifa global de 10% aplicada em fevereiro, após derrota na Suprema Corte, e que expira nesta semana.
A CNI calcula que a última alíquota sozinha (a de 12,5%) alcançará 4.060 produtos brasileiros, ou US$ 12,4 bilhões (R$ 63 bilhões) em exportações.
A nova taxa se soma, porém, ao tarifaço mais grave aplicado contra o Brasil no último dia 15. Ali, a Casa Branca aplicou uma tarifa de 25% sobre cerca de 4.000 produtos brasileiros. Como as listas de produtos taxados são parecidas, a tarifa antiga alcançou número similar de mercadorias brasileiras: algo como US$ 11 bilhões (R$ 56 bilhões), ou 26% da pauta de exportações basileiras aos EUA, também segundo a CNI.
“Os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para justificar a adoção de tarifas adicionais nos termos da Seção 301 não encontram respaldo na realidade brasileira”, afirma a CNI, em nota. “A entidade destaca que o Brasil possui um dos arcabouços legais mais modernos e abrangentes para prevenir, combater e erradicar o trabalho forçado, inclusive ao longo das cadeias de suprimentos.”
O setor da madeira é o mais exposto às novas tarifas, segundo o levantamento divulgado nesta sexta-feira. Cerca de 83% da exportações do setor aos EUA estão sujeitas às tarifas de 37,5%, enquanto outros 8,2% estão sob a Seção 232 (segurança nacional), e 6,5% estão isentas. Os 2,3% restantes recebem 12,5% de alíquota.
Concentradas no Sul do país, as empresas produtoras de madeira ainda se recuperavam do tarifaço de 50% aplicado contra o Brasil em meados do ano passado. “Nós não temos um plano B”, disse o presidente da Abimci (Associação Brasileira de Indústria de Madeira Processada), Paulo Pulo, à Folha de S. Paulo antes do anúncio das novas tarifas.
Além do setor de madeiras, também estão bastante expostos à dupla tarifação os setores de minerais não metálicos (56%), químicos (52%), alimentos (33%), e celulose e papel (24%).
Segundo a CNI, agora 48,7% do total das exportações brasileiras — em valor — estão sujeitos a algum tipo de tarifa, sejam as tarifas oriundas de investigações comerciais da Seção 301 ou as tarifas com justificativa em segurança nacional da Seção 232.
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – MARCOS HERMANSON










