Conhecida no Espírito Santo pela força do café conilon e da pimenta-do-reino, Jaguaré começa a desenhar uma nova vocação econômica no campo. O município do Norte capixaba, tradicionalmente ligado às commodities agrícolas que sustentam boa parte da economia local, deve colher neste ano 12 toneladas de uva — uma produção que até poucos anos atrás parecia improvável para a região.
A nova aposta do agronegócio capixaba ganhará vitrine no próximo fim de semana, durante um festival realizado no sábado (13) e domingo (14), que vai celebrar a colheita da fruta e mostrar como a diversificação agrícola tem avançado entre pequenos produtores rurais. Mais do que uma festa rural, o evento marca um momento simbólico para Jaguaré: a tentativa de reduzir a dependência econômica de culturas já consolidadas e abrir novas frentes de renda no campo.
De terra do conilon a aposta na uva: o que mudou em Jaguaré
Em uma cidade reconhecida pela produção agrícola, especialmente de café conilon e pimenta-do-reino, a expansão do cultivo da uva chama atenção justamente por romper uma lógica histórica da produção local.
Segundo a consultora de agroindústria do projeto Arranjos Produtivos da Assembleia Legislativa do ES, Alessandra Vasconcelos, a implantação da cultura começou há mais de três anos, com apoio técnico, distribuição de mudas e orientação aos agricultores.
“O projeto mostrou que, com assistência adequada, mudas de qualidade e dedicação do produtor rural, é possível implantar uma nova cultura em uma região onde antes isso parecia inviável”, explicou.
A expectativa para 2026 é colher 12 toneladas da fruta, número visto como um primeiro passo para estimular outros agricultores a diversificarem a produção e reduzirem a dependência exclusiva do café.
No Espírito Santo, onde eventos climáticos, oscilação internacional de preços e custos de produção frequentemente afetam culturas tradicionais, a diversificação agrícola tem sido defendida por especialistas do setor como estratégia para ampliar a segurança econômica das propriedades familiares.
Festival da uva terá feira, minicursos e experiência “colhe e pague”
A Praça Nicolau Falchetto, no centro de Jaguaré, será transformada em vitrine do agronegócio familiar capixaba. A programação prevê apresentações culturais, atrações artísticas e cerca de 30 estandes de agroindústria e artesanato.
Além da comercialização de uva in natura, produtores vão vender derivados como polpas de fruta, sucos e até um vinho produzido em Jaguaré, lançado recentemente durante a Feira dos Municípios.
A iniciativa busca incentivar a agregação de valor à produção agrícola — uma estratégia considerada central para aumentar a renda dos pequenos produtores.
Entre os destaques da programação estão minicursos gratuitos promovidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-ES), com foco na cadeia produtiva da uva e também do café, principal motor econômico da região.
Haverá ainda uma atividade voltada à produção de kombucha da fruta, conduzida pela produtora Joice Fosch, dentro da chamada “Experiência com Sommelier”.
‘Colhe e pague’ deve ser a atração mais procurada
A expectativa da organização é de que o momento de maior movimentação aconteça no sábado, com a experiência “colhe e pague”, no Sítio Santiago, localizado a cerca de nove quilômetros do centro de Jaguaré.
Das 9h ao meio-dia, visitantes poderão colher uvas diretamente do parreiral e levar a produção para casa — um formato que mistura turismo rural, experiência gastronômica e valorização da agricultura familiar.









