A Região Metropolitana da Grande Vitória registrou avanços em indicadores de renda, desigualdade e pobreza entre 2022 e 2025. Dados do Boletim Desigualdade nas Metrópoles, divulgado pelo Observatório das Metrópoles em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), mostram que a pobreza caiu 36,6% no período, enquanto a desigualdade de renda diminuiu e a renda média da população aumentou.
O levantamento é baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e analisa indicadores socioeconômicos de 22 regiões metropolitanas brasileiras.
Na Grande Vitória, a taxa de pobreza passou de 24,6% da população em 2022 para 15,6% em 2025. Já a extrema pobreza caiu de 3,9% para 3,2% no mesmo período.
A melhora ocorreu em um contexto de aumento da renda da população. A renda domiciliar per capita média na região metropolitana capixaba saltou de R$ 2.167 para R$ 2.671 entre 2022 e 2025, um crescimento de 23,3%.
Menor desigualdade
Além do avanço da renda, a Grande Vitória foi uma das poucas regiões metropolitanas do país a registrar redução da desigualdade de renda no período analisado. O coeficiente de Gini — indicador utilizado para medir a concentração de renda — caiu de 0,518 em 2022 para 0,505 em 2025. Quanto mais próximo de zero é o índice, menor é a desigualdade.
Segundo o estudo, apenas oito das 22 regiões metropolitanas avaliadas apresentaram redução do indicador entre 2022 e 2025: Grande Vitória, Manaus, Belém, Macapá, Recife, Salvador, São Paulo e Vale do Rio Cuiabá.
O resultado coloca a Grande Vitória na contramão da tendência observada na maior parte das metrópoles brasileiras, onde a desigualdade voltou a crescer nos últimos anos.
Os dados indicam que o avanço da renda foi mais intenso entre as famílias de menor renda. Entre os 40% mais pobres da população da Grande Vitória, o rendimento médio mensal passou de R$ 632 em 2022 para R$ 809 em 2025, uma alta de aproximadamente 28%.
O crescimento acima da média geral ajuda a explicar a redução da desigualdade observada na região. Enquanto a renda média da população aumentou 23,3%, os ganhos dos segmentos mais pobres foram proporcionalmente maiores.
Distância entre ricos e pobres diminui
Outro indicador analisado pelo estudo mostra que a diferença entre os rendimentos dos mais ricos e dos mais pobres também encolheu na Grande Vitória. Em 2022, os 10% mais ricos recebiam, em média, 14,1 vezes mais do que os 40% mais pobres. Em 2025, essa relação caiu para 13,1 vezes.
Embora a distância permaneça elevada, o resultado representa uma redução de cerca de 7% no período e ficou abaixo da média registrada no conjunto das regiões metropolitanas brasileiras, onde os mais ricos ganharam, em média, 16,1 vezes mais do que os mais pobres em 2025.
O boletim aponta que a pobreza nas regiões metropolitanas brasileiras atingiu em 2025 o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. A taxa caiu para 18,4%, o equivalente a cerca de 15,2 milhões de pessoas. Segundo os pesquisadores, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza nas metrópoles brasileiras desde 2021, movimento associado principalmente ao aumento da renda do trabalho e à recuperação do mercado de trabalho após os impactos da pandemia.
Apesar da melhora dos indicadores sociais, o estudo ressalta que a desigualdade continua sendo um dos principais desafios das grandes cidades do país, onde vivem mais de 80 milhões de brasileiros.
Grande Vitória em números
Confira a mudança na renda do capixaba entre 2022 e 2025:
- Renda média per capita: R$ 2.167 → R$ 2.671 (+23,3%)
- Renda dos 40% mais pobres: R$ 632 → R$ 809 (+28%)
- Coeficiente de Gini: 0,518 → 0,505 (-2,5%)
- Razão entre ricos e pobres: 14,1 → 13,1 (-7,1%)
- Taxa de pobreza: 24,6% → 15,6% (-36,6%)
- Taxa de extrema pobreza: 3,9% → 3,2% (-17,9%)









