A possível taxação de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos colocou o setor industrial em estado de alerta em todo o país e acendeu um sinal vermelho no Espírito Santo. Federações industriais avaliam medidas emergenciais, como redução do ritmo de produção e até fechamento de postos de trabalho, para mitigar impactos financeiros caso a tarifa seja confirmada.
“Uma tarifa dessa magnitude muda completamente as contas de competitividade das empresas exportadoras. Precisamos nos antecipar para proteger empregos e manter as operações viáveis,” afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona.
Mobilização nacional
A Findes participa, ao lado das demais 26 federações da indústria no país, de reuniões frequentes com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O grupo, liderado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, mantém diálogo contínuo com o governo federal na busca de saídas diplomáticas e econômicas para reduzir o impacto da medida anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, nas redes sociais.
“Estamos trabalhando em conjunto com a CNI e em contato permanente com Brasília para que o Brasil tenha uma resposta rápida e coordenada. A indústria não pode ser pega de surpresa,” disse Baraona.
Incerteza jurídica, impacto real
Até o momento, nenhum documento oficial foi encaminhado pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil formalizando a tarifa. Ainda assim, a simples sinalização pública já provocou instabilidade nas relações comerciais e movimentou setores produtivos que dependem do mercado norte-americano. A CNI, com apoio das federações estaduais, realiza um levantamento junto às indústrias para mapear frustrações comerciais, contratos em risco e potenciais perdas de receita.
Espírito Santo é um dos mais expostos
O alerta é especialmente alto no Espírito Santo, historicamente dependente das vendas externas para o mercado norte-americano. Em 2024, os EUA responderam por 28,6% das exportações capixabas, de acordo com dados do Observatório Findes. O Estado é o segundo mais dependente das exportações aos EUA entre as unidades da federação, atrás apenas do Ceará (45%).
No ano passado, o Espírito Santo exportou US$ 3,06 bilhões para os Estados Unidos e importou US$ 2,05 bilhões, mantendo saldo positivo na balança — agora ameaçado por uma política comercial que líderes industriais classificam como unilateral e potencialmente arbitrária.
Apoio às empresas capixabas
A Findes informou que seguirá monitorando os desdobramentos e colocando sua estrutura técnica e institucional à disposição das empresas do Estado para avaliar impactos, orientar estratégias e apoiar a busca de alternativas de mercado.
“Nosso compromisso é estar ao lado das indústrias capixabas neste momento de incerteza. Vamos trabalhar para preservar empregos, investimentos e a competitividade do Espírito Santo,” reforçou Baraona.









