Espírito Santo é o 1º no cultivo de oito produtos agrícolas

Das praias às montanhas, o Espírito Santo se destaca em diversos pontos. Tem a panela de barro que se une à moqueca, iguaria saborosa e símbolo da cultura capixaba. No entanto, os destaques vão além desses itens, porque como um estado rico de Norte a Sul o que não faltam são variedades.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Espírito Santo se destaca como primeiro, a nível nacional, na produção de oito produtos agrícolas. São eles: Café Conilon (1º produtor do Brasil e maior exportador nacional); Pimenta-do-Reino (1º produtor e maior exportador do Brasil); Gengibre (1º produtor e maior exportador brasileiro); Pimenta-Rosa (1º produtor exportador nacional); Ovos de Codorna (1º produtor do brasileiro); Chuchu (1º produtor nacional); Inhame (1º produtor brasileiro); e Taioba (1º produtor nacional).

Fora isso, na produção de café como um todo, o estado se destaca como o segundo produtor brasileiro. Como, também, na produção de mamão, que ainda se destaca como maior exportador nacional. Além disso, o Espírito Santo é o terceiro produtor no Brasil de Café Arábica, Cacau, Morango, Repolho e Ovos de Galinha, tendo o município de Santa Maria de Jetibá, na região Central Serrana, como o maior produtor nacional.

Ao todo, cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba vem da produção da agropecuária, segundo o secretário de Estado da Agricultura, Paulo Foletto. “Se você entender que é um setor considerado primário, onde você produz o básico, praticamente commodities, é muita coisa, já que praticamente um terço da economia capixaba está ligada ao agronegócio”.

A moeda de troca do capixaba é o café

Mesmo assim, o estado se destaca, principalmente, na produção de café como um todo. De R$ 2 produzidos na agropecuária do Espírito Santo, R$ 1 é café. Ou seja, 50% de tudo que é feito na roça capixaba é café.

Tendo em vista essa representação expressiva, o secretário de Estado da Agricultura conta que é preciso juntar diversos produtos, como mamão, tomate, tangerina, leite, carne de boi e de frango, por exemplo, para conseguir chegar aos outros 50%, representando pelo café. Dessa forma, o produto é considerado a vitrine e o grande responsável pela movimentação econômica, que sustenta o estado e as famílias de municípios do interior capixaba.

“O nosso grande produto é o café. Está presente em 77 dos 78 municípios capixabas. Só não tem em Vitória porque não tem lugar pra plantar. Café é metade de tudo o que a gente arrecada. O café é diferenciado. Quando a gente fala de morar no interior, já se pensa primeiro em café. É uma cultura de quem domina mão de obra especializada, a pesquisa é muito boa, a extensão é de muita qualidade… É claro que a gente precisa ir atrás de outras atividades e fazer desenvolvimento, porque  diversificação é fundamental. Quando o café passa por um período de queda no preço, principalmente na agricultura familiar, é preciso ter uma compensação”, ressaltou Foletto.

Agricultura familiar

Ao todo, mais de 130 mil famílias capixabas têm renda ligada à produção de café como um todo — seja ele Conilon ou Arábica. Do café produzido no Espírito Santo, 70% é Conilon e os outros 30% Arábica, sendo que a produção, respetivamente, se concentra em regiões de altitude superior a 600 metros e em regiões mais baixas, inferior a 600 metros, chegando ao nível do mar.

“Tem um movimento enorme relacionado à questão de empregos. São mais de 400 mil pessoas envolvidas em toda a cadeia produtiva do café, especialmente quando a gente fala no momento da colheita, que é o momento que mais movimenta pessoal. Outro fator importante pra gente no Espírito Santo é que 70% desse café produzido vem do pequeno produtor, de bairro”, disse o coordenador de cafeicultura do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Abraão Carlos Verdin.

Tendo como base essa dimensão, o Incaper prevê uma produção em torno de 14/ 15 milhões de sacas no Espírito Santo para 2021. Esse volume de café, por exemplo, representa entre 37% e 40% da renda bruta do estado. Fora isso, do total de café produzido no Brasil em 2021, em torno de 70% terá origem de território capixaba.

“No ano de 2020, o estado do Espírito Santo produziu a maior safra recorde em café arábica. Produzimos em torno de 4, 7 milhões de sacas de café. Esse ano, provavelmente, vai ser o conilon”, disse Verdin.

A partir disso, o coordenador de cafeicultura do Incaper destaca que o comércio capixaba, especialmente em cidades do interior, está ligado, diretamente, com o café. “Se tem mais café e o preço tá bom, o comércio, o supermercado, venda de carro, venda de máquinas, equipamentos, tudo melhora… Tudo gira em torno do café no Espírito Santo. A moeda de troca do capixaba é o café”.

Agronegócio além do café

Mesmo diante desse destaque, o Espírito Santo não ganha relevância apenas na produção de café. Como citado anteriormente, oito produtos capixabas estão em primeiro à nível nacional.

O secretário de Estado da Agricultura, por exemplo, explica que em relação a Pimenta-do-Reino o Espírito Santo assumiu o maior valor bruto de produção. Fora isso, no período de cinco anos, houve uma ascensão quanto à produção.

“Os agricultores começaram a plantar e a acreditar. Hoje a pimenta tá num preço muito saudável. Como quando quase tudo é commodities, né? Isso varia de acordo com a bolsa. O mercado internacional exporta muita pimenta. A pimenta hoje ocupa um lugar de destaque na economia capixaba do agronegócio, porque ela tem uma tendência muito grande a continuar o aumento do plantio”, explicou Foletto, destacando, fora a produção, a importância da pesquisa, que traz benefícios em longo prazo para o agronegócio.

Pimentas em destaque

Na trilha da Pimenta-do-Reino, a Pimenta Rosa, que é muito utilizada na produção de cosméticos, tem um diferencial por ser mais atrativa. Por isso, o caminho da Rosa tende a ser o mesmo da do Reino.

Além disso, o estado também se destaca na produção de gengibre. De acordo com o secretário, Santa Maria de Jetibá, na região Central Serrana, ganha relevância na produção desse produto agrícola, por conta da questão climática, já que se trata de uma região mais fria e com a presença forte da agricultura familiar. Em 2020, por exemplo, o rendimento médio surpreendeu. Ao todo, foram produzidos mais 54 mil kg na produção.

Porém, o comércio do gengibre capixaba não se limita às fronteiras. Foletto conta, ainda, que algumas pessoas perceberam o destaque do produto e o levaram para os Estados Unidos, fazendo o comércio de gengibre na região de Miami, no extremo sudeste da Flórida.

O destaque também se dá com a banana capixaba. De acordo com o secretário, houve um aumento em 2020. O rendimento médio por hectare se manteve, e há previsão de aumento na área de plantio. No mesmo caminho está o cacau, que ganha um horizonte promissor, segundo Foletto.

“Nós estamos com 50 municípios onde o cacau é uma atividade de relevância. Também é uma fonte de renda saudável. O Brasil importa cacau. Se você quadruplicar a produção de cacau, provavelmente, não vai dar pra suprir o mercado interno. É uma atividade que tem mercado externo e o interno absorve toda produção. No Espírito Santo, 26 marcas de chocolate artesanal estão agregadas a toda produção, e já temos em torno de 300 e 400 produtores. Fora isso, estamos com quase 10% de quem planta cacau fazendo chocolate”, destacou o secretário.

Pandemia e o agronegócio capixaba

Como em todos os setores, o agronegócio capixaba sentiu o impacto na produção, por conta da pandemia de Covid-19. Porém, mesmo diante dos percalços, Foletto explica que o impacto se deu, apenas, inicialmente, nos primeiros dois meses da crise sanitária.

“Nós tivemos um impacto na Ceasa, que teve uma queda acentuada em abril. Mas já em maio, junho, ela voltou e aumentou. Nós tivemos um crescimento do negócio. Você vê, é claro, que a nível Brasil, nós temos estados que são grandes produtores de proteína animal, frango, carne de boi, e de soja. Nós temos grandes extensões produtoras, mas a nossa economia também se estabilizou e cresceu na pandemia”, disse o secretário.

O balanço das exportações no Espírito Santo em 2020, entre o primeiro e o segundo trimestre, teve uma retração por conta da redução inicial da demanda. Porém, o agronegócio aumentou 19.3% entre o primeiro e o segundo trimestre do ano passado. Além disso, a participação do setor, no total de exportações capixabas, em 2020, saltou de 20% para 30%.

Matheus Passos
Matheus Passos
Graduado em Jornalismo pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no ESHoje desde abril de 2021. Atualmente também apresenta e produz o podcast ESOuVe. Ingressou como estagiário em junho de 2019. Antes atuou na Unidade de Comunicação Integrada da Federação das Indústrias do Estado (Findes).

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