Como já contei em outras oportunidades, sou fruto de uma família formada por gente que gosta de se fartar e, como se diria no Nordeste, encher o bucho alheio com comidas gostosas. Meu pai sempre gostou de cozinhar pratos elaborados: lasanha verde com massa caseira, lagosta a Thermidor, rabada que ficava três dias marinando na geladeira… mas sempre pratos salgados.
A sobremesa era feita pela dona Léa, às vezes com a ajuda de Adriana, a filha mais velha. Mamãe sempre foi a doceira da família, aquela que é procurada, seja para consultas sobre tortas, para palpitar sobre uma nova mistura ou preparar aquela mousse de coco em uma ocasião especial.
Com o passar dos anos, Leóca (como é conhecida entre os parentes) criou um menu de doces que é sua marca registrada. Com certeza falarei de muitos desses pratos aqui e, conto tudo na vida tem um começo, contarei sobre o primeiro hoje. Já comeram uma salada de frutas quente?
Na história – A salada de frutas – combinação de várias frutas frescas, secas, cozidas e/ou frutas com legumes – é consumida desde os tempos antigos. Os ingredientes e receitas dependiam do que estava disponível (país, estação do ano) e atitudes socioculturais em relação aos ingredientes.
A salada de frutas, como a conhecemos hoje, uma variedade de frutas frescas, geralmente tropicais, surgiu em meados do século XIX. Seu primeiro registro foi encontrado no livro “O que cozinhar e como comê-lo”, de Peirre Blot, em 1863.
Já em 1920 as queridinhas passaram a ser as saladas de fruta com gelatina. Durante a Segunda Guerra Mundial, foram promovidas saladas de frutas para garantir que a quantidade adequada de vitamina C fosse incluída na dieta americana. Frutas enlatadas e frescas foram recomendadas. As saladas de frutas no norte da Europa (Alemanha, por exemplo) evoluíram de maneira diferente. Essas receitas usavam maionese (oi?!).
Na minha história – Juro que tentei, mas não me lembro a primeira vez que a dona Léa incorporou a receita da salada de frutas quente no nosso cardápio de visitas. Só sei que foi uma enorme vitória. Digo isso porque minha mãe tem pavor de frutas moles, maduras demais. Escrevo isso, lembrando da sua expressão ao contar uma experiência com uma maga sendo espremida sobre a salada de frutas nas casa de uma conhecida.
De lá para cá, minha mãe foi se aperfeiçoando na receita: frutas separadas, menos suco de laranja, adoçante culinário em vez de açúcar, variação do tempo de cozimento de acordo com a textura de cada fruta.
Ontem, pela primeira vez, ousei me apossar de sua receita e parti para cozinha. Lavei e cortei cada fruta, tentando também imitar o amor que ela coloca em tudo o que faz na cozinha. o resultado está aí na foto.
Receita – Para fazer a salada de frutas quente da minha família você precisará:
1 banana
1 maçã
1 pera
1 ameixa
1 pêssego
1 kiwi
1 goiaba
8 morangos
12 uvas (sem caroço)
1 xícara de açúcar mascavo
Outras frutas de sua preferência (menos melancia, melão e tangerina, que soltam muita água)
Suco de 1 laranja
Raspas de laranja
Modo de preparar:
Lave bem as frutas e corte-as em pedaços médios (cortamos as uvas e morangos ao meio e as outras frutas em fatias compridas e de largura média). Disponha os pedaços em uma forma ou refratário médio. Espalhe o açúcar por cima das frutas; em seguida regue tudo com o suco de laranja e as raspas da casca.
Cubra a forma com papel laminado. Pré-aqueça o forno em 180° por 10 minutos. Coloque a forma coberta no forno e deixe assar por 20 minutos. Quando acabar o tempo, retire o papel, regue as frutas com a calda que se formou e leve de volta ao forno por mais 20 minutos.
Sirva quente, acompanhada de sorvete de creme. Bom apetite!









