Hoje é Natal! E também é a última coluna do ano.
Hoje quero falar de experiência pessoal, trazendo as palavras da vida real, sem rodeios.
O Natal chega sempre com essa estranha capacidade de nos despir. Cai o excesso, o ruído, as urgências fabricadas. O que sobra é o essencial — e ele nunca é volumoso. Cabe quase sempre em poucos nomes, em alguns abraços, em um punhado de silêncios compartilhados.
2025 foi um ano de muitos desafios. Um ano áspero. Um ano que exigiu coragem diária. A internação de mamãe redesenhou prioridades, rasgou certezas, ensinou — à força — que o controle é uma ilusão elegante que cultivamos para não encarar nossa fragilidade. Naquele quarto de hospital, entre aparelhos, esperas e orações silenciosas, aprendi o que nenhum livro ensina: o tempo não obedece à nossa agenda, e o amor é sempre urgente.
O que ficou desse ano?
Ficaram as pessoas. As que permaneceram quando o mundo parecia instável demais.
As que souberam silenciar quando não havia palavras.
As que souberam aceitar e a não reclamar, quando a presença era instável. As que ofereceram presença, não soluções.
Aprendi também a deixar pessoas seguirem o fluxo do rio. Algumas águas precisam correr livres. Outras, porém, encontram repouso, tornam-se álveos férteis, capazes de agregar, sustentar e acolher — mesmo quando o campo da vida parece desmembrado por correntes intensas e, às vezes, agressivas. Não é toda margem que nos abriga. E tudo bem.
Desapegar não é perder.
É libertar-se.
É permitir que cada um siga o curso que lhe cabe, sem culpa, sem rancor, sem peso desnecessário.
E essa, talvez, seja a maior liberdade que 2025 me ensinou: dar importância ao que verdadeiramente importa.
Não são os títulos.
Não são as conquistas que impressionam.
Não são os aplausos passageiros.
O que importa são as pessoas que amamos — e que nos amam de volta.
Os lugares onde somos acolhidos sem precisar fingir força.
Os vínculos que não exigem explicação.
Que este Natal nos lembre disso.
Que a próxima travessia seja mais leve.
E que, ao final de tudo, saibamos reconhecer: o essencial sempre foi humano.
Feliz Natal com um
Abraço afetuoso! 🎄










Moema, adorei seu texto. Lembrou de como eu vivi 2025. Foi um ano áspero, que me desafiou e provou que não sou nada sozinha.
Desejo um 2026 renovado para você.
Continue forte e escrevendo pra gente, aqui no ES Hoje.
Bjão.