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13 de junho de 2024
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Moema Giuberti
Moema Giuberti
Moema Giuberti. Promotora de Justiça há 17 anos. Mestra em Direto pela PUC/SP. Poetisa nas horas vagas.

Sobre alguns novos ciclos

A menopausa, marco natural na vida das mulheres, não se resume à cessação da menstruação. Ela representa um momento de transição, marcado por mudanças físicas e emocionais que podem ser desafiadoras. Entre as diversas nuances desse período, o luto emerge como um tema central, permeado por perdas e rearranjos psíquicos.

Não adianta, todas nós, em vida, passaremos por essa fase, seja de forma prematura, seja de maneira aliviadamente postergada. Digo aliviada porque, como sabemos, há um mito explícito em nossa sociedade.

Digo mito porque a menopausa é vista como um processo de envelhecimento e, de fato, ela vem com o passar dos tempos e com o cingir do rosto pelas nossas rugas. Sob o manto da menopausa vem a dor de não mais esbanjar a jovialidade dos 20, 30 anos. Vem a dor de não mais poder gerar filhos de forma natural. Vem a dor pela perda da libido. Vem a dor pelo “derretimento” dos músculos e pele. Olhem quantas coisas a menopausa nos impõe!

Fico pensando, vendo amigas nessa fase e já me antecipando a minha fase, essa dor nos é imposta socialmente ou trata-se de uma dor interna inerente ao próprio processo de envelhecimento do corp? Não sei dizer muito bem.

A menopausa se configura como um momento de ruptura com o simbólico da juventude. O corpo, outrora palco de fertilidade e vigor, agora experimenta alterações que podem gerar angústia e insegurança. A imagem idealizada de si mesma pode ser abalada, dando lugar a um sentimento de perda daquilo que era familiar e conhecido.

Também estaremos diante do fim da fase reprodutiva da mulher, como eu já mencionei. Para algumas, isso pode significar a perda de um sonho ou projeto de vida. É importante permitir-se sentir o luto por essa perda, reconhecendo a importância da fertilidade e da maternidade na construção da identidade feminina.

A cultura patriarcal, muitas vezes, propaga uma visão negativa da menopausa, associando-a à velhice e à perda de atratividade.

Mas vamos ser realistas, e nada menos do que feministas! A menopausa não significa o fim da vitalidade feminina. A mulher que atravessa essa fase ainda possui muito a oferecer ao mundo, tanto em termos de experiência e sabedoria quanto em termos de sexualidade e desejo. Óbvio que sim! Que o diga a modelo Luciana Gimenez!

Por este ângulo, menos traumático e mais acolhedor, a menopausa é uma oportunidade para a mulher se reinventar e construir uma nova identidade. É tempo de explorar novas possibilidades, de se acolher e investir em novos projetos e hobbies, fortalecer os laços com amigos e familiares, e se dedicar ao autocuidado.

O luto da menopausa, embora doloroso, pode ser um processo transformador. Ao elaborar as perdas e ressignificar a sua história, a mulher emerge mais forte, autêntica e empoderada. É um momento para celebrar a vida, a experiência acumulada e a sabedoria conquistada ao longo dos anos. Viva a nova fase!

Moema Giuberti
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Moema Giuberti. Promotora de Justiça há 17 anos. Mestra em Direto pela PUC/SP. Poetisa nas horas vagas.

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